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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Caraguatatuba é uma das 100 cidades com mais casos de Aids no Brasil

Segundo informações divulgadas recentemente pelo Ministério da Saúde, Caraguatatuba figura entre as 100 cidades com mais casos de Aids no Brasil. De acordo com o documento, em 2010 a cidade aparece como 73º lugar no País com o maior número de doentes, com 29,8% casos para cada 100 mil habitantes, sendo que a população estimada é de 101 mil.
Segundo Ana Maria, 63 anos, que se descobriu portadora do vírus em 1987, as maiores dificuldades relacionadas à doença em Caraguá são ligadas ao tratamento. “Para passar pelas consultas e receber remédios, o serviço funciona. Agora, quando acontece algo mais complicado que precisa de exames ou internação, a situação complica”, diz.
Ainda segundo ela, a Santa Casa da cidade não possui leitos específicos para pessoas com Aids e nem infectologistas.
Em Caraguatatuba, são 369 pessoas com HIV/Aids se tratando, segundo a coordenadoria local de DST, Aids e Hepatites Virais. O maior índice de infectados está entre os heterossexuais, principalmente casados, apesar de o número de mulheres com a doença venha crescendo bastante, pois a maioria dessa população não tem o hábito de usar preservativo.
A coordenadora do Programa Municipal de DST, Aids e Hepatites Virais, Maria Helena Cattani, diz que o desafio maior é fazer com que a população faça o teste para saber se tem a doença. “Precisamos quebrar o estigma de que a Aids é uma doença de homossexuais. Hoje não existe um grupo de risco e sim situações de risco e vulnerabilidade”, diz Maria Helena, que acredita que o alto número de casos da doença em Caraguá se deve justamente à busca ativa por soropositivos.

Ações no município

No final de 2011, a prefeitura realizou na cidade a campanha Fique Sabendo, que estimula o diagnóstico precoce do HIV. Foram feitos cerca de mil testes convencionais e 385 rápidos, sendo um total de seis resultados positivos.
A equipe da Unidade de Atendimento às Moléstias Infecto-Contagiosas (Uami) promove ações de prevenção ao HIV dentro do Programa de Redução de Danos, que conta com quatro agentes de prevenção trabalhando nas ruas, casas noturnas, praias, praças e bares. Os agentes distribuem preservativos e kits para usuários de drogas injetáveis, e fazem o trabalho educativo de orientação e divulgação dos serviços da Uami.
Há também o Grupo de Trabalho Religiões, que dá orientações dentro de comunidades religiosas e atinge principalmente as mulheres que são líderes desses grupos. Participam budistas, católicos, espíritas kardecistas, umbandistas e evangélicos.
Outro grupo de trabalho é voltado à diversidade sexual. Integrantes do grupo “De Peito Aberto” se reúnem toda segunda quarta-feira do mês para debater temas relacionados a preconceitos, direitos e prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.
A auxiliar de enfermagem e tecnóloga em turismo Edneia Maria Pereira coordenou o trabalho de Redução de Danos do município por cinco anos. No cargo até o final de 2010, Edneia também era a responsável pelo Plano de Ações e Metas (PAM) da cidade, que deve ser aprovado pelos conselhos de saúde locais. “O dinheiro era liberado facilmente pela prefeitura e utilizado, por exemplo, em campanhas de prevenção ao HIV e pagamento de recursos humanos para atividades específicas de combate à Aids”. Nesses cinco anos, o valor anual do PAM foi em torno de R$ 75 mil. O PAM é um instrumento de planejamento e programação da política de incentivo do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde que transfere recursos para a realização de atividades de Aids em 487 municípios e os 26 estados mais o Distrito Federal. As cidades beneficiadas concentram 68,5% da população nacional e 89% dos casos de aids registrados no País.

Leitos

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Caraguatatuba, os pacientes que fazem tratamento na Uami dispõem de atendimento de equipe multidisciplinar formada por infectologista, ginecologista, assistente social, farmacêutico, nutricionista, psicólogo e enfermeiro. “O município tem o conhecimento que a Santa Casa de Saúde Stella Maris possui leitos específicos para pacientes soropositivos”, informou a assessoria de comunicação. Ainda de acordo com o órgão, “os profissionais da equipe da Uami também podem acompanhar os pacientes na Santa Casa, inclusive para levar os medicamentos utilizados pelos usuários e prestar toda a assistência necessária”.
A Assessoria de imprensa do Stella Maris informou à Agência de Notícias da Aids que para proteger os pacientes com HIV do risco de contrair infecção por estar imunodeprimido, ele podem ser colocados num quarto de isolamento., mas quando há internação por outras causas (cirurgia, por exemplo), permanecem em enfermaria comum. O hospital informa ainda que possui infectologista atuante.

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