ABI - Associação Brasileira de Imprensa

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Liberdade de Expressão e Ética

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Comandante das UPPs do Rio fica ferido durante confronto na Rocinha Segundo a PM, o coronel Frederico Caldas caiu e bateu a cabeça quando tentava se abrigar durante uma troca de tiros na manhã deste domingo; após madrugada violenta, situação na favela é tensa

O comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio, coronel Frederico Caldas, ficou ferido durante novo tiroteio ocorrido no fim da manhã deste domingo, 16, na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul. De acordo com o comando das UPPs, Caldas "caiu e bateu a cabeça quando tentava se abrigar". A corporação afirma que o coronel "se feriu por conta da queda, e não por estilhaço ou por disparo de arma de fogo".
Um jornal comunitário da Rocinha chegou a divulgar no Facebook, por volta de 12h40, que Caldas e a comandante da UPP local, major Priscila de Oliveira, tinham sido baleados quando se preparavam para dar uma entrevista. A Assessoria de Imprensa das UPPs negou a informação. Caldas foi levado para o Hospital Central da Polícia Militar e ainda não há informações sobre o estado de saúde do coronel. Priscila não está ferida, segundo a PM.
Policiais dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) fazem incursões no morro em busca de traficantes. Em tiroteio ocorrido na madrugada, pelo menos dois homens ainda não identificados ficaram feridos e um suspeito foi preso. Bases da UPP foram atacadas. Um carro da PM também foi metralhado.
Barricadas. O Túnel Zuzu Angel, que liga os bairros de São Conrado e Gávea, na zona sul, foi fechado com barricadas de pneus em chamas. Assustados, moradores eram obrigados a voltar pela contramão. Um carro da PM foi atingido por tiros e sedes da UPP foram atacadas. Acionado, o Bope da PM chegou à Rocinha por volta das 5h.


Comandante das UPPs do Rio fica ferido durante confronto na Rocinha

'Marcha do povo' surpreendeu pessimistas, afirma Dilma

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira, 10, que a "marcha realizadora do povo" tem surpreendido aqueles que têm feito previsões catastróficas para o Brasil. "Disseram que era impossível um operário ser presidente, mais adiante afirmaram que uma mulher não teria pulso para comandar. Agora, eles têm a cara de pau de dizer que o ciclo do PT acabou, que nosso modelo se esgotou", afirmou Dilma, durante discurso no aniversário de 34 anos do PT, na capital paulista.
Segundo a presidente, essas afirmações são feitas pelos mesmos "que antes da posse de Lula anunciaram uma debandada gigantesca dos empresários brasileiros". "São os mesmos que a cada crise internacional diziam que o Brasil ia afundar", afirmou. Dilma disse ainda que o governo "enfrentou e venceu" todas as crises até agora.
Para Dilma, esses pessimistas "aproveitam alguns desequilíbrios típicos de uma conjuntura internacional muito difícil para todos os países para dizer que o fim do mundo chegou". "O fim de mundo chegou para eles, há muito tempo", afirmou.
A presidente disse que o fim do mundo da oposição começou quando o destino do Brasil "escapou por entre seus dedos". "Até hoje eles não entendem o acelerado processo de ascensão social que está em marcha em nosso País", afirmou, ressaltando que o Brasil deixou de ser governado para poucos.
Segundo Dilma, os críticos do governo não entendem como e por que Brasil está se tornando uma nação de classe média. "Não explicam como nos últimos três anos, enquanto o mundo quase se afogava na maré de desemprego, nós geramos 4,5 milhões de empregos", afirmou.

Campanha de Dilma planeja criar fórum empresarial

Pressionada por representantes da indústria e diante de um cenário econômico adverso, a presidente Dilma Rousseff quer criar um fórum permanente de diálogo com empresários para a campanha da reeleição.
A ideia de Dilma é reunir sugestões dos mais diversos segmentos empresariais para tentar neutralizar as críticas amplificadas pela oposição. O comando da campanha estuda até a possibilidade de editar um documento específico, no segundo semestre, estabelecendo compromissos da presidente para alavancar a indústria.
Nos bastidores do PT, o plano é chamado de versão 2.0 da Carta ao Povo Brasileiro, texto usado na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto, em 2002, para acalmar o mercado.
Na semana em que Dilma foi obrigada a preencher a vaga de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com um interino, Mauro Borges Lemos, por não encontrar um empresário de renome que quisesse assumir o posto, coube a Lula fazer afagos a investidores internacionais, em Nova York. "Ninguém deve ter medo de investir no Brasil", disse ele.
O papel de atrair pesos pesados do PIB para a campanha de Dilma e do candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, será protagonizado pelo ex-presidente. Após assistir a uma romaria de industriais a seu escritório, nos últimos meses, para reclamar do "intervencionismo" do governo na economia, Lula vestirá o figurino de "facilitador" da reaproximação.
A preocupação do governo e do PT é com a deterioração da imagem de Dilma em meio a uma crise de credibilidade. Nos últimos dias, os desafiantes da presidente - o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) - fizeram coro com as queixas dos industriais e atacaram o modelo econômico. Vacinas.
A estratégia do comitê petista consiste agora em pôr na vitrine as conquistas do período Lula-Dilma, como o crescimento do emprego, e criar "vacinas" para impedir que os adversários colem na presidente o carimbo do descontrole e da falta de gerenciamento, na esteira dos protestos de rua e dos apuros na economia. Os atritos na relação de Dilma com os empresários foram responsáveis, na sexta-feira, pelo recuo do usineiro Maurílio Biagi Filho no compromisso verbal assumido com o PT.
Recém-filiado ao PR, Biagi anunciou a desistência de ser vice na chapa de Padilha. "É difícil ganhar a eleição em São Paulo com o agronegócio ruim como está", afirmou Biagi. "O problema é causado pela política do governo federal e não adianta mais promessa. O governo tem de propor solução para o setor." Biagi promoveu um jantar com representantes do agronegócio em sua casa, em Ribeirão Preto, no dia 7. Ali seria dada a largada festiva da campanha de Padilha, ex-ministro da Saúde.
Diante de Lula e do candidato, porém, o clima foi de constrangimento com as críticas. Para o presidente da indústria de alimentos Moinho Pacífico, Lawrence Pih, as garantias de Dilma não têm surtido efeito porque o setor privado quer ver "ações concretas", com o objetivo de pôr fim à "desindustrialização". "Não adiantam só palavras. O governo precisa sinalizar que vai intervir menos na economia. O atual modelo é ancorado no superávit primário, meta de inflação e câmbio flutuante, três pilares hoje frágeis."
Pih liderou o comitê de empresários que apoiou Lula na vitoriosa campanha de 2002, mas se afastou do PT após o escândalo do mensalão, em 2005. Até hoje, no entanto, ele defende o ex-presidente. "Lula é pragmático e tem capacidade de negociar. Ele pode não concordar, mas ouve. A presidente é uma economista keynesiana-socialista", comparou Pih.
Na avaliação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, os empresários não podem reclamar de falta de interlocução. "É claro que gostaríamos que as coisas fossem mais rápidas, mas há muitas reformas, como a trabalhista e a tributária, que dependem de mudanças na lei. E o Congresso não é fácil."
Andrade também vê entraves nas exigências do Tribunal de Contas e do Ministério Público para a liberação de obras. "Temos de ser parceiros do governo para discutir a questão do câmbio, dos juros e do crédito", argumentou. "Não adianta ficar chorando." 

PSDB põe plano real na campanha de Aécio

O PSDB vai promover dia 25 de fevereiro, no Congresso, uma sessão solene para comemorar os 20 anos do Plano Real e dar seguimento à estratégia do senador Aécio Neves (MG) de resgatar em sua campanha as realizações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A data foi escolhida a dedo. No dia 28 de fevereiro completam-se 20 anos da entrada em vigor da Unidade Real de Valor (URV), a unidade de referência monetária que foi o ponto de partida do Plano Real e começou o processo de estabilização da moeda. O sucesso do plano criou as bases políticas para que o então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso saísse candidato e vencesse as eleições presidenciais de 1994.
O PSDB quer reunir no evento figuras tidas como fundamentais na implantação da nova moeda. A maior parte delas estará ao lado de Aécio na campanha - como o economista e ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, que ainda não confirmou presença. Mas Fernando Henrique confirmou e deverá sentar-se à mesa do Senado como convidado de honra.
O ato terá um componente político-eleitoral forte. Isso porque seus organizadores estão compilando discursos e debates da época em que a aprovação do Plano Real estava sendo discutida no Congresso e que demonstram a rejeição do PT ao plano. De acordo com o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), já foram levantadas a fala de petistas como o agora ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Na época, o ministro foi um dos mais ferrenhos adversários da criação da nova moeda.
"Há até imagens de um deputado do PT que tentou me agredir no plenário durante uma acalorada discussão do novo plano econômico", contou Hauly. O material se somará a outros levantamentos sobre os impactos do Real para a população brasileira nos últimos 20 anos. Ao final, o material deverá ser editado e publicado.
Atualização. Hauly disse ainda que ele e alguns colegas tucanos acreditam que o real poderia passar por uma revisão, para atualizá-lo. "Defendo no partido que o Plano Real está incompleto e que uma nova etapa dele poderia ser instaurada, de olho nos fundamentos macroeconômicos", afirmou.
Para o secretário-geral do partido, deputado Mendes Thame (PSDB-SP), coautor do requerimento, o evento vai reforçar a necessidade de se construir uma economia estável. "As pessoas interpretam de acordo com suas priorizações. Mas na minha opinião, vai servir para reforçar a necessidade de se ter uma moeda estável, praticar a responsabilidade fiscal e ter respeito aos fundamentos macroeconômicos."
As necessidades às Quais Thame se refere são justamente os principais temas adotados por Aécio e outros tucanos nos ataques à gestão da presidente Dilma Rousseff na área econômica. Segundo eles, a presidente estaria minando o legado conquistado na era FHC. 

Fundo partidário pagou diárias de Campos no carnaval

Prestação de contas do PSB em análise no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o partido pagou R$ 14,6 mil para seu presidente nacional, o governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência Eduardo Campos, se hospedar durante o carnaval de 2012 no Rio, quando assistiu ao desfile das escolas de samba com a mulher e os filhos.
Os seis dias no Hotel Ceasar Park, na Praia de Ipanema, foram pagos com recursos públicos do Fundo Partidário, que, por lei, só pode ser usado para custeio de atividades relacionadas à manutenção do partido.
Conforme nota fiscal apresentada pelo PSB no processo, em análise pela Coordenadoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias (Coepa), a hospedagem de 17 a 23 de fevereiro daquele ano foi num apartamento padrão luxo, de frente para o mar. Durante a temporada, no entanto, o partido não divulgou nenhuma agenda partidária dele ou de outros filiados na capital do samba.
O Estado ouviu três dirigentes do partido à época, que, reservadamente, disseram não ter ocorrido eventos ou reuniões no período do carnaval.
Nos primeiros três dias da hospedagem, o governador não estava no Rio, mas em Pernambuco. Participou de eventos de carnaval em Recife, Olinda e Bezerros, como registrou sua agenda oficial, divulgada pelo governo.
No dia 20, após o almoço, embarcou para a capital fluminense, onde assistiu, com a mulher, Renata, os filhos e uma comitiva de integrantes de seu governo, ao desfile da Unidos da Tijuca.
A escola homenageava o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, com apoio do governo pernambucano. Campos ficou no camarote com a mulher, enquanto os filhos desfilaram. Até a data do check-out, não houve mais agenda oficial pelo governo. O PSB não registrou nenhum compromisso partidário no Rio, segundo sua página oficial.
A nota fiscal da hospedagem foi emitida em 14 de março de 2002 pela Stylus Viagens e Turismo, agência que também atende ao governo de Pernambuco e recebeu R$ 12,1 milhões de diversos órgãos do Estado desde 2008. O pagamento, dias depois, partiu de conta do PSB no Banco do Brasil, em Brasília, usada para movimentar os recursos do Fundo Partidário.
Exclusividade. Conforme a Lei dos Partidos Políticos (9.096/1995), os recursos deste fundo devem ser aplicados exclusivamente na manutenção das atividades da legenda, como pagamento de salários, custeio de sedes, institutos de pesquisa, campanhas e propaganda.
Questionado pelo Estado, o PSB informou, em nota, que a sigla só cobre despesas relacionadas com seu funcionamento. Contudo, não especificou de qual atividade partidária o governador participou no carnaval carioca ou se a presença no desfile é, no seu entendimento, um compromisso dessa natureza.
Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o jurista Carlos Velloso diz que a Justiça Eleitoral, se provocada, deve cobrar explicações sobre a despesa quando confrontada com situações do tipo. Segundo ele, se entender que houve irregularidade, cabem sanções como a devolução dos recursos.
"O que se entende por atividade partidária? Convenções, viagens para reuniões de próceres partidários, tudo aquilo o que diz respeito à vida do partido. Tem de ter uma agenda", comentou, analisando o caso em abstrato.
Trata-se, no entanto, de um terreno complexo. O juiz Marlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, é favorável a um controle mais rigoroso sobre esse tipo de despesa. Porém, segundo ele, o princípio constitucional da autonomia partidária impede que a Justiça avalie o mérito dos gastos, cabendo se ater apenas a formalidades, como, por exemplo, se os comprovantes de despesas apresentados são legítimos ou não.
A prestação de contas do Diretório Nacional PSB, apresentada em abril de 2013 ao TSE, passará sob o crivo da área técnica da corte, que dará parecer pela aprovação, reprovação ou aprovação das contas com ressalvas. Só depois, o processo será julgado.

Alckmin deixa Aécio sozinho em São Paulo

Faltando apenas quatro meses para o início oficial da campanha presidencial, o senador Aécio Neves, provável candidato do PSDB, ainda não conseguiu atrair o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para seu projeto de poder.
Desde que começou em agosto, em Ribeirão Preto, sua jornada para se tornar conhecido no Estado, que representa o maior colégio eleitoral do País, até esse fim de semana em Araçatuba e São Carlos, o senador realizou 13 encontros em cidades paulistas. O governador não participou de nenhum e, segundo informações do Palácio dos Bandeirantes, não deve participar dos próximos, que acontecerão em Santos e na região do ABC.
A ausência de Alckmin tem sido alvo de críticas reservadas da cúpula nacional do PSDB e até mesmo de dirigentes paulistas do partido. Segundo um secretário do governador, o distanciamento de Alckmin em relação a Aécio está forçando o senador a montar uma estrutura paralela no Estado.
Na primeira etapa das viagens no segundo semestre do ano passado, o governador alegava que estava ausente para não melindrar o ex-governador paulista José Serra, que também pleiteava a vaga de candidato. A partir do momento que Serra desistiu de concorrer, aliados de Aécio passaram a pressionar Alckmin por mais engajamento.
Questionado sobre a ausência do governador em mais dois encontros regionais do PSDB no interior de São Paulo essa semana, Aécio afirmou que o momento da "convergência" ainda vai chegar. "O que eu faço aqui é agenda partidária. Esse é um evento do PSDB. O Alckmin está viajando pelo Estado inaugurando obras. Em um determinado momento haverá a convergência."
Para agradar o governador tucano, Aécio aproveitou sua passagem pelo Estado para rebater a sequência de críticas feita pelo ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, provável candidato do PT ao governo paulista. 

Alckmin diz que polícia vai monitorar black Bloc na Copa

Em resposta à ameaça do grupo black bloc de radicalizar nos protestos durante a Copa do Mundo no Brasil, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que a polícia terá um trabalho permanente durante o evento para garantir a segurança pública. Em entrevista ao jornal ''O Estado de São Paulo'' adeptos do movimento de São Paulo afirmaram que vão radicalizar e não descartam nem mesmo ataques contra delegações de times estrangeiros.
O governador lembrou que o estado de São Paulo receberá 15 das 31 seleções do mundo. "Nós teremos aqui um trabalho permanente da polícia, de inteligência e de segurança, neste período, além do que já acontece normalmente", disse.
Sobre as manifestações contra o evento, Alckmin considerou que "ninguém é contra a Copa." Segundo ele, as pessoas são contra o uso de dinheiro público na construção de estádios. "No caso do governo de São Paulo não foi usado nenhum centavo (do governo) no estádio, então protestar contra o quê?", questionou.
Alckmin disse não ver problemas nas manifestações, pois elas fazem parte da democracia. "O que não pode é ter violência, colocar em risco a vida das pessoas, depredar patrimônio público, isso é que não pode", enfatizou.
O governador acompanhou hoje, na capital paulista, o início da construção de 804 moradias no bairro do Jaraguá.

Alckmin admite uso de 'volume morto' da Cantareira

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que não pretende utilizar a totalidade dos 400 milhões de metros cúbicos do Sistema Cantareira, que não são utilizados normalmente, o chamado "volume morto", para aumentar a vazão de água da região. Segundo Alckmin, uma primeira análise mostra que, com a técnica de ensacadura e novos canais, será possível usar cerca de 50 milhões de metros cúbicos.
Apesar de acreditar que não será preciso fazer uso desse potencial hídrico, o governador reforçou a importância de ter um sistema montado para, se necessário, poder aproveitá-lo. "Não adianta ter uma reserva se você não pode usá-la."
Outra alternativa, que pressupõe o uso de bombas, poderia utilizar cerca de 150 milhões de metros cúbicos adicionais de água do total de 400 milhões do volume morto. "Estamos avaliando, em termos de engenharia, o tipo de bomba. Isso está sendo estudado pela Sabesp", comentou.
Ao falar sobre a grande dependência de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) por meio do Sistema Cantareira, o governador destacou a Parceria Público Privada (PPP), assinada há seis meses, para trazer água do rio São Lourenço. Segundo ele, o projeto, que deve ficar pronto em 45 meses, vai aumentar em 4,7 metros cúbicos de água por segundo a vazão de água, alta de 6% para a RMSP.
Além disso, Alckmin reforçou que já foram liberados recursos para a construção de duas novas barragens na região: a Pedreira, no rio Jaguari, e a de Duas Pontes, no rio Camanducaia.
As declarações foram dadas durante o início da construção de 804 moradias no bairro do Jaguará, na capital paulista.

Governo federal planeja lei para conter a violência em manifestações Texto deve ser enviado ao Congresso Nacional na próxima semana e bases foram discutidas com os secretários estaduais de Segurança de todo o País; ponto em análise prevê aviso prévio de protestos em áreas como Avenida Paulista

O governo federal vai enviar ao Congresso Nacional, em regime de urgência, um projeto de lei para tratar do direito à liberdade de manifestação e para estabelecer sanções para casos de vandalismo, lesão corporal e homicídio. O texto não deve prever veto ao uso de balas de borracha para conter excesso nas manifestações, que deverão ser anunciadas previamente. A restrição aos mascarados, porém, ainda é polêmica.
Os pontos principais foram discutidos nesta quinta e sexta em Aracaju, pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, durante a reunião do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública de todo País. Ele acredita que o texto estará pronto para ser enviado ao Congresso na próxima semana.
"Dessa forma, vamos garantir a segurança do cidadão que participa e dos profissionais que ali atuam, como os jornalistas. Atos de vandalismo são inaceitáveis, pois acabam atingindo pessoas, causando lesões e mortes, como nós vimos, lamentavelmente, no caso do cinegrafista", disse o ministro, em referência a Santiago Ilídio Andrade, atingindo por um rojão em protesto no Rio.
Com relação ao projeto de lei, Cardozo tem reservas sobre a proposta de punir ou tipificar como crime o uso de máscaras nas manifestações. Uma possibilidade em discussão é garantir à polícia o poder de exigir que mascarados se identifiquem. Quem se recusar poderia ser levado a um local à parte e liberado após a manifestação. No entanto, o assunto não é consenso entre os secretários de Segurança. O Rio, por exemplo, defende veto total às máscaras.
Quanto a outro ponto polêmico, o aviso prévio das manifestações, Cardozo sugeriu que tal exigência só ocorra em regiões onde possa haver tumultos, como na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo o ministro, estuda-se "uma lei equilibrada, sem excessos, afirmada no contexto da democracia brasileira".
Sobre o uso de balas de borracha por parte da polícia, o ministro defendeu o uso do recurso, considerando a "baixa letalidade", e ressaltou que as forças de segurança só devem agir quando a situação se agrava.
Ele ainda defendeu o aumento de penas para crimes ocorridos em manifestações, como dano ao patrimônio e lesão corporal, mas disse que há aspectos delicados nos projetos de lei que visam a reduzir de três para dois o número de pessoas para que seja caracterizada a formação de quadrilha - o que atingiria diretamente os envolvidos na morte do cinegrafista.
A proposta de uma nova lei foi bem acolhida pelos secretários, segundo Cardozo, mas com divergências, porque alguns entendem não ser necessária mais uma lei. "Mas a maior parte opinou pela necessidade dela (da lei) com ênfase em dimensões diferentes que serão analisadas na elaboração do projeto a ser encaminhado."
Regras para a PM. Durante o encontro de secretários, o ministro da Justiça também defendeu um "regramento" nacional para atuação das PMs. "A proposta que fizemos é justamente de termos uma indicação, uma orientação para atuação das nossas polícias. Para que a sociedade saiba como elas atuam, os parâmetros, os limites."
A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, expôs uma coleta de dados e a discussão com todos os comandantes militares do Brasil. O Ministério da Justiça trabalha em um texto a ser apresentado aos Estados. "O Brasil terá um regramento unificado que defina o uso proporcional da força. Para que policiais não sejam acusados injustamente e para que situações indevidas de ação policial sejam coibidas e punidas."

A polêmica que atrasa

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, investe contra dois pontos essenciais da proposta do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, ao avaliá-la no contexto de projeto que o governo elabora para conter a violência em protestos de rua. A principal, a proibição do uso de máscaras pelos manifestantes.
O outro senão de Cardozo se refere à obrigatoriedade de aviso prévio para manifestações. No primeiro caso, o ministro considera mais fácil que o policial peça a identidade do manifestante em meio a uma ação predatória, do que ter o seu rosto descoberto para facilitar a identificação posterior.
É uma curiosa tese sobre facilidade operacional. Imagine-se o policial, interrompendo um cidadão que está quebrando um banco: "Por favor, sua identidade". Não menos ruim é o argumento para invalidar o aviso antecipado: o de que tira a espontaneidade do protesto. São objeções que priorizam o manifestante, colocando em segundo plano o interesse público.
Ele se identifica se quiser e continua beneficiário do fator surpresa, promovendo manifestações em pontos diferentes da cidade, dificultando a ação policial. Considerando que sentou em cima da proposta de Beltrame por meses, Cardozo continua sem a pressa que o problema impõe.
O ministro parece desconsiderar que as primeiras prisões com elementos claros de culpa direta na morte de um cidadão só foram possíveis porque um deles se apresentou à polícia quando concluiu que seria identificado em imagens de veículos de comunicação.
O que torna esse fator - da identificação - fundamental para que, através da punição, se desestimule a violência. Dificultá-la com objeção à proibição de máscara, sob argumento inconsistente, parece mais gosto pela polêmica do que por resultado.
A combinação de legislação objetiva, simples, como a proposta pelo secretário de Segurança do Rio, Mariano Beltrame, com uma investigação competente é a melhor resposta e a reafirmação de compromisso democrático da classe dirigente ao País.
Na linha dispersiva do ministro, o Congresso também dá sinais de comportamento errático ao se enredar com propostas polêmicas, como a de uma lei antiterror que não se aplica ao caso. Se a devemos, não só em função da Copa do Mundo próxima, mas também pelos tempos planetários, ela não se impõe como prioridade agora.
Com menos pretensão se pode dar às autoridades policiais condições objetivas de enfrentar a violência dentro de regras democráticas que não comprometam os resultados das investigações pela falta de legislação que impeça seus efeitos.

Governo viu 'ingratidão' em protestos, diz ministro 'Fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós', afirma Carvalho, citando a sensação do Planalto durante as manifestações de junho

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, admitiu ontem que o governo e movimentos sociais aliados ficaram "perplexos" com os protestos de junho do ano passado, quando milhares de pessoas foram às ruas do País.
"Houve quase que um sentimento de ingratidão, de dizer: 'fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós'", afirmou Carvalho, ao participar de uma conferência no Fórum Social Temático Crise Capitalista, Democracia, Justiça Social e Ambiental, em Porto Alegre.
Carvalho disse também que "a direita inicialmente fez festa" por entender que as manifestações se configuravam como contrárias à administração federal. As declarações do ministro foram feitas na Conferência Contra o Capital, Democracia Real, da qual também participaram, como palestrantes, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), e representantes de ONGs do Brasil, França, Marrocos e África do Sul.
Os protestos de meados de 2013, que tiveram início em São Paulo, como reação ao aumento da tarifa do transporte coletivo, espalharam-se pelo País e passaram a abrigar pautas diversas, entre elas manifestações contra o uso de dinheiro público para a realização da Copa do Mundo.
Para o ministro, as políticas de distribuição de renda e estímulo ao consumo do governo federal não foram acompanhadas na mesma velocidade por um debate sobre um modelo de desenvolvimento diferenciado. "É evidente que, junto com melhor emprego e melhores salários, vem a consciência de novos direitos", disse.
Ao falar da "perplexidade" e da incompreensão em algumas esferas do governo com as manifestações, Carvalho disse que o governo se esforçou para compreender a realidade, dialogou com os novos movimentos e respondeu com programas de melhorias da mobilidade urbana.
O Palácio do Planalto e o PT estão mobilizados para tentar evitar atos de repressão policial violentos com potencial de gerar uma nova onda de manifestações durante a Copa do Mundo. Questionado sobre um protesto ocorrido no dia anterior na capital gaúcha por passe livre e contra o Mundial, o ministro destacou que a ação policial não foi violenta.
"Temos de dialogar. Só não pode ter a atitude de se encastelar e achar que repressão resolve", afirmou. "Não podemos permitir pessoas infiltradas, que não acredito que sejam manifestantes efetivos."
'Hora de sair'. No início da noite, Carvalho participou de outro evento do Fórum Social e sugeriu que prepara sua saída do governo. "Eu falo como quem está no governo há 12 anos. Já está na hora de sair", afirmou, ao participar da mesa redonda Os Movimentos Sociais Populares e o Futuro da Democracia.
Antes, o ministro criticou a imprensa e adversários políticos, que, segundo ele, "criminalizaram" o PT no julgamento do mensalão. Ele reiterou a defesa do financiamento público de campanhas eleitorais. "Trataram de criminalizar toda a nossa conduta, nos transformando quase em inventores da corrupção, enquanto nós sabemos que o problema nosso foi reeditar, infelizmente, em parte aquilo que eram os usos e costumes da política", comentou em um trecho do discurso.

Entre 2006 e 2013, ocorreram 843 protestos no mundo; só 8,9% usaram violência A conclusão foi de quatro pesquisadores da Friedrich Ebert Stiftung – New York Office, que coordenaram um levantamento recém-publicado para medir o nível da temperatura política nas ruas mundiais

Entre 2006 e 2013, ocorreram 843 protestos no mundo, espalhados por 87 países que abrangem 92% da população mundial. O período foi um dos mais agitados da história mundial e a efervescência política dos últimos oito anos pode ser comparada a 1848 (época da Primavera dos Povos e da onda de protestos na Europa central e oriental), a 1917 (período da Revolução Russa) e a 1968 (ano lendário marcado pelas lutas dos direitos civis dos Estados Unidos pelos movimentos pacifistas e de contracultura).
A conclusão foi de quatro pesquisadores da Friedrich Ebert Stiftung – New York Office, que coordenaram um levantamento recém-publicado para medir o nível da temperatura política nas ruas mundiais.
Em junho do ano passado, enquanto o Movimento Passe Livre liderava as manifestações contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo, partidos de oposição marchavam na Índia contra o preço dos combustíveis. Os sul-coreanos defendiam nas ruas a liberdade de expressão. Na Etiópia, manifestantes clamavam um basta à corrupção e à liberdade política.
Um mês antes, na Turquia, protestos que começaram de maneira pacífica contra a derrubada de árvores, se disseminaram pelo país depois da ação truculenta da polícia, dinâmica semelhante à verificada no Brasil. O mundo, como poucas vezes na história, se agitava em busca de se transformar.

Algumas informações importantes aparecem nesse retrato e permitem discutir diferentes aspectos das manifestações:
1) Os países de alta renda foram os que mais se rebelaram, com 304 manifestações, o que representa 36% dos protestos. Na sequência, aparecem a América Latina e Caribe (141 casos), leste da Ásia / Pacífico (83), África Subsaariana (78), leste e norte da África (77), protestos globais (70), Europa Central e Ásia (43) e sul da Ásia.
Nesse sentido, fica a pergunta: educação e renda estimulam a crítica política? O ex-presidente Lula chegou a justificar as Jornadas de Junho como efeito da melhora das condições sociais no Brasil, um aparente contrassenso. A pesquisa não permite nenhuma conclusão a respeito, mesmo porque a Europa e os Estados Unidos foram epicentros de crises econômicas nos anos da pesquisa. Mas indica que a relação pode fazer sentido.
2) A violência foi uma tática pouco usada nos protestos. Ficou concentrada em 75 (8,9%), o que indica que a chamada tática black bloc não chega a ser popular. Em outros 33 eventos, os manifestantes fizeram greve de fome ou praticaram agressões contra si próprios – exemplos são manifestantes que ateiam fogo no próprio corpo. Apesar de a forma tradicional de protestos ainda predominar, com 437 eventos sendo levados a cabo por marchas e comícios, existem novidades nas manifestações. As chamadas ações diretas, com ocupação de ruas, praças e prédios ocorreram em 219 protestos. Alguns dos mais famosos foram os do Brasil, Egito, Espanha e Nova York, com Ocuppy Wall Street. Nessas ações diretas também são contabilizadas as ações de hackers e as invasões nos computadores e sistemas normalmente dos alvos dos protestos.
Em São Paulo, tanto a ação direta, a desobediência civil e a violência contra o patrimônio foram táticas usadas pelos movimentos populares em junho. A ponto de desnortear a polícia, que acabou perdendo o controle diante das câmeras ao espancar manifestantes rendidos, causando comoção nacional. Nesse sentido, a depredação e as táticas black blocs, se hoje estão altamente desgastadas, foram estratégicas para incendiar as ruas do Brasil em junho.
3) Houve sucesso em 37% das reivindicações. Talvez uma das vitórias mais retumbantes foi a redução das tarifas de ônibus em diversas cidades brasileiras, conquista do MPL em junho. A proporção de resultados positivos é alta, já que muitas das demandas são questões políticas de médio e longo prazo e ainda seguem em discussão.
4) Mais da metade dos protestos (488 ou 57%) foi por justiça econômica e contra medidas de austeridade para diminuir os gastos do governo, como as manifestações ocorridas basicamente depois da crise europeia. O fracasso da representação política ou dos sistemas políticos aparecem em seguida (376 ou 44%). Também houve demandas voltadas à justiça global, com críticas ao FMI e Banco Mundial (311 ou 36%) e pelos direitos de pessoas ou de grupos, com questões relacionadas a terra, cultura, legislação digital, minorias, etc (302 ou 35%).
Cada um que faça a sua própria leitura dos dados no link abaixo para o trabalho. Eu arrisco uma. A atual geração parece que vem chegando de fato para mudar o mundo. São jovens que nasceram e cresceram em grandes cidades, rodeados pelas culturas de rede social. Essa aliança por meio de contatos virtuais, aliás, é a ferramenta para potencializar essas mudanças ou pelo menos as reivindicações. Resta agora lutarmos para que as transformações sejam no sentido de aprimorar a democracia, garantindo direitos individuais e diminuindo as injustiças.

Qual é o futuro dos black blocs no ano da Copa?

Desde junho, fomos atingidos por uma onda de novidades que até agora estamos tentando assimilar. Eu me lembro de cobrir a terceira manifestação de rua de junho, quando vi pela primeira vez um grupo de manifestantes subindo a Avenida Brigadeiro Luís Antonio a quebrar deliberadamente vidraças de bancos. Antes, alguns mascarados já haviam destruído as janelas de um ônibus. Achei que eram arruaceiros.
Eu não compreendi, em um primeiro momento, o significado daquela situação. Depois me explicaram que se tratava de tática Black Bloc. Passadas algumas semanas, ficou evidente que a desobediência urbana e a reação às investidas policiais pela depredação se tornaram estratégia nas ruas.
Se não houvesse as ações diretas, não ocorreria o massacre praticado diante das câmeras pela PM na quarta manifestação de junho. Como resultado, dificilmente o preço da tarifa de ônibus seria reduzido e as manifestações não teriam o mesmo apelo em São Paulo e no restante do Brasil. É impossível negar: a tática Black Bloc foi uma grande novidade nas ruas e uma estratégia eficiente em junho.
Em um segundo momento, no entanto, com a chegada de julho e os protestos das Copas das Confederações, uma segunda geração Black Bloc começou a encher as passeatas. A depredação parecia ser, acima de tudo, manifestação de raiva acumulada. O movimento deixava de ter demanda clara. Black blocs chegavam para "aloprar" eventos esportivos, protestos em defesa dos índios, greve de professores.
A tática de ação direta foi se desgastando e as cenas de vandalismo saturaram a população. A morte trágica do jornalista da Band talvez tenha sido a gota d'água. Qual deve ser o futuro dos black blocs? Creio que se pode dizer duas coisas:
1) Os protestos contra a Copa são altamente provocadores e transformadores. Acusam políticos de todos os partidos. Talvez continuem por serem relevantes. Sinalizam um basta ao circo dos políticos. É a cara da geração atual de manifestantes;
2) A tática Black Bloc, no entanto, visivelmente se desgastou entre os próprios manifestantes. Táticas White Blocs (pacifistas) de manifestações ou Pink Blocs (festivas e lúdicas) talvez devessem entrar na pauta. É momento de inovar. De novo.

Black bloc de SP vai radicalizar na Copa

Mesmo após o uso de um rojão causar a morte do cinegrafista Santiago Andrade em um protesto no Rio, os adeptos da tática black bloc, em São Paulo, prometem radicalizar durante as manifestações contra a Copa do Mundo e não descartam nem mesmo ataques contra delegações de times estrangeiros.
"Nossa tática nunca foi ferir civis, mas, se não formos ouvidos, a gente vai dar susto em gringo. Não queremos machucar, mas se for preciso ?tacar? (coquetel) molotov em ônibus de delegação ou em hotel em que as seleções vão ficar, a gente vai fazer", disse, em entrevista ao Estado, o estudante Pedro (nome fictício), adepto da tática em São Paulo.
Segundo ele, as ações são discutidas pelos black blocs, que estão organizados no que chamam de células - pequenos grupos de até 30 pessoas que participam dos protestos juntos. "A gente evita falar pelo Facebook. Essas estratégias combinamos pessoalmente ou pelo Whatsapp. Para te dar essa entrevista, eu tive de consultar os outros adeptos", contou.
Em São Paulo, são pelo menos dez células. "No total, devem ser uns 300 participantes que são realmente ativos, mas, na Copa, tenho certeza de que o número será maior. Acho que vão ser mais de mil", afirma.
De acordo com o manifestante, o objetivo é mostrar para os estrangeiros que o País não tem segurança e fazê-los desistir de ficar no Brasil. "Se uma seleção sentir que há risco de vida, eles vão querer continuar aqui? Não somos contra a Copa do Mundo nem contra o futebol. A nossa luta é por uma educação e uma saúde melhores", afirmou o jovem, morador de Itaquera, na zona leste.
Ele disse que a morte do cinegrafista da Band foi uma fatalidade e que os responsáveis pela ação não são black blocs.
Pedro revelou ainda que, embora os adeptos da tática não tenham reuniões periódicas nem uma liderança, eles estão se preparando juntos para os protestos contra a Copa, até mesmo com treinamento físico. "Todo mundo deve se preparar porque a Polícia Militar vai vir em peso. A gente está se preparando com treinos de artes marciais como Krav Magá, Jiu-jítsu e Muay Thai", disse.
O próximo grande ato contra a Copa está programado para o sábado, dia 22, em várias cidades do País. Pelo Facebook, mais de 10 mil pessoas já confirmaram presença na manifestação da capital paulista.
Diversidade. Ao contrário das manifestações de junho, que tiveram como principal articulador o Movimento Passe Livre (MPL), os protestos contra a Copa não têm um único organizador e reúnem os mais diversos movimentos sociais, desde militantes da área da saúde até os chamados hackerativistas, como os integrantes do Anonymous. Esses grupos formaram o coletivo Se Não Tiver Direitos Não Vai Ter Copa.
Para I.G., integrante do movimento Contra Copa 2014 que divulga os atos nas redes sociais, os atuais protestos agrupam muitos manifestantes de junho que se sentiram "abandonados" após o MPL conseguir a redução da tarifa de ônibus em várias cidades do País.
"Me senti órfão do MPL porque eles abandonaram as ruas. Foi assim que outros protestos horizontais foram aparecendo e começou a se criar grupos de afinidade. Os protestos agora são horizontais, populares e sem interferência de partidos e sindicatos", disse.
Os manifestantes contra a Copa prometem atuar em várias frentes, até mesmo fora das ruas. "O que posso dizer é que vamos apoiar os protestos de rua com ações virtuais que ainda não podem ser ditas", afirmou um integrante do Anonymous. A invasão de páginas oficiais está prevista. 

Pressionado, PSOL muda evento de cidade

Obrigado, nos últimos dias, a se defender de acusações de envolvimento com grupos radicais que provocam tumulto e depredação, o PSOL adiou em uma semana e mudou do Rio para São Paulo o lançamento da candidatura do senador Randolfe Rodrigues (AP) para presidente da República e da ex-deputada Luciana Genro (RS) a vice.
A festa aconteceria amanhã (17) na Câmara Municipal carioca e foi transferida para a Câmara paulistana, no dia 24. O presidente nacional do partido, Luiz Araújo, nega que a mudança tenha ocorrido para evitar exposição do PSOL na cidade onde ocorreu a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band. "O que aconteceu foi que paramos toda a organização do evento para responder às acusações e aos ataques que sofremos. Isso consumiu nossa capacidade de mobilização."
Preocupada em não ter a imagem do partido vinculada aos grupos radicais, a direção nacional do PSOL tirou do site oficial um artigo do secretário de Organização, Edilson Silva, em outubro, que critica a criminalização do movimento black bloc e defende o diálogo com seus integrantes.
No texto, Silva diz que o black bloc "é algo progressivo, politicamente moderno, trazido pelas mãos da dialética da história". "Para quem quer mudar o mundo de verdade, não deve parecer utópico ou ingênuo demais querer ver os movimentos e partidos de esquerda coerentes, como o PSOL, dialogando com a tática black bloc (...)", afirma o dirigente.
Luiz Araújo informou que, por não ser a posição oficial do PSOL, mas a opinião de um militante, o partido decidiu tirar o texto do ar. "Queremos evitar mais mal entendidos", disse o presidente.
Acusações. Dias depois de o cinegrafista ser atingido, em protesto no centro do Rio, o advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende os dois manifestantes investigados pela morte, disse ter ouvido da ativista Elisa Quadros, a Sininho, que os rapazes tinham ligação com o deputado estadual Marcelo Freixo, um dos principais líderes do PSOL no Estado. Freixo negou categoricamente envolvimento.
O mesmo advogado acusou, sem citar nomes, partidos políticos de pagar jovens para promoverem atos de vandalismo nas manifestações. Em depoimento à polícia, um dos investigados, Caio Silva de Souza, disse acreditar que partidos que levam bandeiras para os protestos pagam os manifestantes e citou PSOL e o PSTU.
Já pré-candidato a presidente, Randolfe Rodrigues acredita que os ataques ao PSOL fazem parte de uma ofensiva para "criminalizar todo tipo de manifestação que critique os negócios em torno da Copa" e diz que o partido não deixará as ruas. "Apoiamos manifestação, mobilização de rua e condenamos a violência, seja do Estado, seja de manifestante", diz.

Brasil já vive a crise climática global Ano de 104 já é marcado com extremo de temperaturas e precipitações

Calor extremo e seca no Sudeste brasileiro. Nevascas e frio intenso na costa leste dos Estados Unidos. Ondas de calor no Alasca e na China em pleno inverno. Enchentes na Inglaterra. Temperaturas escaldantes e incêndios florestais por toda a Austrália. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo; e não é por acaso, segundo os meteorologistas.
"Todos esses eventos estão conectados dentro de um sistema climático global", disse ao Estado a pesquisadora Maria Assunção da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo. Um sistema que, segundo ela - e a esmagadora maioria dos cientistas - está sendo alterado pelo acúmulo de gases do efeito estufa lançados na atmosfera pelo homem nos últimos 150 anos.
Treze dos 14 anos mais quentes já registrados pelo homem ocorreram nos últimos 14 anos, com a exceção de 1998. O ano passado foi o sexto mais quente. E o clima de 2014 parece ter começado fora dos trilhos também, com eventos extremos de temperatura e precipitação - para mais ou para menos - espalhados por todos os continentes.
O foco dessas perturbações atuais, segundo Assunção, está do outro lado do mundo. Mais especificamente no norte da Austrália e no sul da Indonésia, onde está chovendo muito, e na região central do Oceano Pacífico, onde está chovendo pouco.
Isso altera os padrões das correntes de jato (ventos fortes de altitude) nos dois hemisférios; o que altera os padrões de chuva típicos desta época, tornando o tempo extremamente estável e persistente em regiões de latitudes mais altas. O clima parece que "estacionou" nessas regiões, intensificando todos os efeitos. Um cenário que demonstra claramente como as mudanças climáticas são um problema global, que afetará todos os países, independentemente de sua posição geográfica ou situação econômica, dizem os especialistas.
Os modelos globais de previsão climática variam bastante entre si, mas todos preveem um aumento na ocorrência de eventos climáticos extremos nas próximas décadas, por causa do aquecimento global. "Os extremos vão ficar mais intensos e ocorrer com mais frequência", resume Assunção.
Ligação. O que está acontecendo agora, portanto, é exatamente o que os cientistas do clima preveem que começará a ocorrer com mais frequência daqui para a frente. Estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o aquecimento global e um evento climático qualquer, porém, é extremamente difícil.
"Sempre que há algum fenômeno extremo em curso as pessoas perguntam se isso tem a ver com o aquecimento global, mas essa é uma pergunta muito difícil de responder", explica o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A resposta, segundo ele, depende de um análise estatística do comportamento do clima ao longo de várias décadas, para ter certeza de que se trata de uma mudança sistemática e não apenas de flutuação pontual. "Mesmo dez anos é pouco tempo", avalia Seluchi, com a ressalva de que não é possível esperar por essa certeza para começar a agir, pois já será tarde demais para reverter o processo. O economista Nicholas Stern coloca os fatos de forma contundente. "A mudança climática está aqui, agora", diz o título de um artigo escrito por ele, manchete do jornal britânico The Guardian, anteontem, com uma foto do Rio Tâmisa transbordando sobre Londres.

Comandante de UPP se fere em novo tiroteio na Rocinha

O comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio, coronel Frederico Caldas, ficou ferido durante novo tiroteio ocorrido no fim da manhã deste domingo, 16, na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul.
De acordo com o comando das UPPs, Caldas "caiu e bateu a cabeça quando tentava se abrigar". A corporação afirma que o coronel "se feriu por conta da queda, e não por estilhaço ou por disparo de arma de fogo".
Um jornal comunitário da Rocinha chegou a divulgar no Facebook, por volta de 12h40, que Caldas e a comandante da UPP local, major Priscila de Oliveira, tinham sido baleados quando se preparavam para dar uma entrevista. A Assessoria de Imprensa das UPPs negou a informação. Caldas foi levado para o Hospital Central da Polícia Militar e ainda não há informações sobre o estado de saúde do coronel. Priscila não está ferida, segundo a PM.
Policiais dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) fazem incursões no morro em busca de traficantes. Em tiroteio ocorrido na madrugada, pelo menos dois homens ainda não identificados ficaram feridos e um suspeito foi preso. Bases da UPP foram atacadas. Um carro da PM também foi metralhado.

Alckmin reforçará combate às drogas perto da Paulista Além da assistência ambulatorial aos dependentes, governador ressaltou ação policial contra traficantes

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta manhã de domingo, 17, que vai reforçar o combate ao tráfico de drogas na região da Avenida Paulista em resposta à reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que mostrou a situação de feira livre no comércio de entorpecentes na Rua Peixoto Gomide. A reportagem flagrou vendedores oferecendo em voz alta maconha, comprimidos de ecstasy, cartelas coloridas de LSD e gotas de GHB - anestésico também usado como estimulante sexual.
"O Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) já foi acionado, terá uma ação grande e vigorosa nesta região, como fazemos em todas as regiões do Estado", afirmou o governador. Alckmin disse ainda que a conduta do governo estadual é sempre apoiar os dependentes químicos. "Dependência química é doença e precisa de tratamento", disse.
A atuação do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod) foi citada como exemplo. "O Centro está funcionando 24 horas por dia, no Bom Retiro, e recebe quem precisar para tratamento ambulatorial, internação e comunidade terapêutica." Segundo Alckmin, o Centro conta com 1,3 mil leitos hospitalares voltados a dependentes químicos.
Além da assistência ambulatorial aos dependentes, Alckmin ressaltou a importância da ação policial contra os traficantes. "O tráfico de drogas é crime e precisa ser combatido. É o que a polícia faz, que é prender criminosos", disse.
O governador participou hoje, na capital paulista, do início das obras de construção de 804 moradias de um empreendimento no bairro do Jaraguá.

Conclusão da vida

Após anos de vida eu chego a seguinte conclusão: 

Gente falsa não fala, insinua. 
Não conversa, fera intriga. 
Não elogia, adula. 
Não deseja, cobiça. 
Não colabora, interfere. 
Não participa, se infiltra. 
Não sorri, mostra os dentes. 
Não caminha, rasteja pela sabotando a felicidade alheia e sobre de seus restos.

Datafolha diz que carioca aprova manifestações, mas não apoia os black blocs Pesquisa também questionou a ação da polícia nos protestos

Pesquisa realizada pelo Datafolha após a morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um rojão quando cobria a passeata, mostra que a maioria dos cariocas aprova manifestações, mas reprova as práticas de vandalismo ou uso de máscaras. De acordo com a pesquisa, 56% dos moradores do Rio concordam com os protestos, 40% são contrários e 4% são indiferentes ou não respondem.
A maior parte dos entrevistados (95%) se dizem contrários ao vandalismo, que na pesquisa incluia a ação dos black blocs. Além disso, os cariocas foram questionados sobre a participação de partidos nas manifestações, na qual 84% disseram reparar a participação nas manifestações. As mais citadas forma PSOL (7%), PT (7%) e PSTU (5%).
Na ocasião, a polícia também foi avaliada. Apenas 8% dizem considerar a PM "muito eficiente", 49% a consideram "pouco eficiente", e 40% "nada eficiente". O Datafolha ouviu 645 moradores do Rio com 16 anos ou mais entre os dias 13 e 14. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

'Coringa' volta a atacar, mas é 'rendido' pela própria mãe Repreendido na rua, ativista desiste de entrevista, mas faz novas denúncias

Nos quadrinhos, o malvado Coringa só temia o Batman. Na vida real, para Cleyton Carlos Silbernagel, 24 anos, ativista que se fantasiava como o vilão em manifestações no Rio, bastou uma bronca da mãe para que desistisse de conversar pessoalmente com O DIA. “Cleyton, o que está fazendo? Não vai dar entrevista nenhuma!”, ralhou, antes de surgir em uma bicicleta rosa e levar o filho de volta para casa. Pouco antes, ele postou no Facebook a foto da mãe expulsando uma equipe de reportagem de sua casa.
Mais cedo, pela internet, e longe do olhar materno, Coringa, que diz ser amigo de Caio Silva de Souza, apontado como responsável por acender o rojão que matou o cinegrafista da Band Santiago Andrade, voltou a disparar contra líderes de vários partidos e outros manifestantes. Em entrevista ao DIA, garantiu que parlamentares do Psol deram dinheiro a manifestantes subordinados à militante Elisa Quadros, a Sininho, em encontros secretos promovidos na Aldeia Maracanã e na Uerj.
A mãe de Cleyton o abordou na rua, quando ele daria nova entrevista ao DIA. Antes, havia expulsado de casa uma equipe de reportagem

Coringa afirmou que o deputado federal Anthony Garotinho (PR) pagou R$ 1.200 para que bombeiros e ‘manifestantes profissionais’ acampassem em frente à casa do governador Sérgio Cabral. “Pessoas ligadas ao PR me ofereceram R$ 400 para aderir a manifestações”, disse.
Segundo ele, o filho da deputada estadual Janira Rocha (Psol), João Pedro, seria um dos líderes do movimento ‘Anonymous’ e teria incentivado Caio a praticar ações violentas em manifestações, além de equipar radicais em protestos.
Em entrevista, os vereadores do Psol Renato Cinco e Jefferson Moura negaram as reuniões secretas e disseram que atos violentos não fazem parte de seus históricos de luta. O presidente estadual do partido, Rogério Alimandro, fez coro com os parlamentares. “Somos socialistas. Não nos reunimos e incentivamos manifestantes anarquistas. Estudamos uma ação jurídica”, afirmou.
Janira negou que o filho se envolva com grupos extremistas. Anthony Garotinho não quis falar com a reportagem.

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