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sábado, 21 de maio de 2016

Ex-goleiro Bruno diz que apanhou muito na prisão e quer dar a volta por cima



O ex-goleiro Bruno está preso na Apac (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado) de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte há oito meses. Preso desde 2010, Bruno está com 31 anos, já passou por duas penitenciárias e cumpre pena de 22 anos e três meses pela morte de Eliza Samúdio.
Bruno ainda pode pegar progressão de pena por dias trabalhados e a liberdade pode chegar já em 2018, segundo seus cálculos.
A reportagem do GloboEsporte conversou com o ex-jogador. Ele contou sobre as suas atividades na limpeza da capela e a prova de soldador na Apac , uma ONG que administra prisões e trabalha em conjunto com diversos estados e os respectivos tribunais de justiça buscando "a humanização no cumprimento das penas privativas de liberdade".
A rotina de Bruno inicia às 6h. O seu dia é preenchido com orações, refeições e horário de lazer a partir das 18h. A detenção do ex-goleiro já foi marcada por uma tentativa de suicídio, uma facada que deixou marca e depressão tratada com remédios.
Bruno se dedica agora ao trabalho, aos cursos e aos treinamentos na Apac. Lá, o ex-jogador é tratado pelo nome, usa crachá, não enverga uniformes da secretaria penitenciária e não passa pelas privações e lotações do sistema comum.
O ambiente na Apac é bem mais tranquilo do que nos presídios tradicionais. Na Associação não há o contato com armas e algemas, não há polícia e agentes penitenciários. A base da ONG é a religião e a disciplina. No sistema fechado da Apac de Santa Luzia, há espaço para 120, mas atualmente há apenas Bruno e outros 92.
A reportagem explica que cada "recuperando" tem direito a visita íntima a cada 15 dias. O contato com a família por telefone se dá três vezes por semana, com ligações de cinco minutos, tudo dentro da lei de execução penal.
Bruno contou ao GloboEsporte que está escrevendo um livro com a "verdadeira história" sobre o crime de Eliza Samúdio. Segundo ele, a amizade com Macarrão é coisa do passado, e o presente aponta conformismo com a pena.
Durante a entrevista, o ex-goleiro contou sobre os traumas no cárcere. "Quando você chega no sistema convencional, você é muito maltratado pelos agentes penitenciários, pela direção, mas o que dói mais é você receber a sua visita, a sua mãe, a sua esposa, e essas pessoas chegarem chorando. Isso me doía mais, ver o sofrimento da minha família", recordou Bruno.
O ex-jogador também falou sobre a tentativa de suicídio e a perseguição na Penitenciária Nelson Hungria. "Eu sempre fui muito perseguido e maltratado. Os agentes penitenciários faziam muita covardia. A pressão era muito grande. Eu cheguei ao ponto de perder o equilíbrio, acabei tentando o suicídio amarrando um lençol na grade e me joguei. Acabou que Deus botou a mão naquele momento ali e não permitiu que eu tirasse a minha própria vida. Quando eu saltei da ventana, o lençol partiu. Impressionante. Foi um dos momentos mais difíceis da minha caminhada", lembrou Bruno.
Na mesma prisão, o ex-goleiro disse que recebia muitas cartas de fãs. "Nos dois primeiros anos, eu recebia mais de cem cartas por semana. Com o passar do tempo, vai caindo. E hoje, depois de quase seis anos, eu ainda recebo cartas de algumas pessoas. São atitudes como essa que nos fortalecem. Na situação que eu me encontro, a pessoa dar uma palavra de carinho mesmo sem saber se você é inocente ou não, fiquei muito feliz. São pessoas assim que nos motivam a dar a volta por cima", agradece.
Bruno também relatou que sofreu de depressão na prisão. "Eu tive a infelicidade de me deparar com a depressão. Eu tentava dormir, virava para um lado, para o outro, o sono não vinha. Eu tentei procurar uma saída nos remédios. Isso é muito comum nos presídios. Me fez muito mal. Quando a minha família chegava era nítido como eu estava abatido. Minha mãe se deparava com aquela situação e chorava muito".
Ainda em conversa com o GloboEsporte, o ex-goleiro relata que já perdeu todo o dinheiro que havia juntado. "Muitos acham que eu ainda tenho dinheiro. Mas devido aos anos recluso e aos problemas que tive nessa caminhada, perdi tudo. Não tenho vergonha nenhuma de assumir. Tudo que eu tinha conquistado num período de cinco anos de carreira, nesses seis anos eu perdi. O que sobrou é a vontade de dar a volta por cima, de vencer, de lutar, de reconquistar", garante Bruno.

A primeira-dama e o hacker

Marcela Temer: Irmão pagou 15 000 reais a hacker que ameaçava divulgar fotos íntimas da mulher do presidente interinoO hacker que, no início de abril, clonou o celular de Marcela Temer e chantageou sua família com a ameaça de divulgar fotos íntimas dela afirmou à polícia que, num primeiro momento, não sabia que sua vítima era a mulher do então vice-presidente da República. Em depoimento a que VEJA teve acesso, Silvonei José de Jesus Souza, de 35 anos, contou que pinçou o nome de Marcela de um HD pirata que continha dados pessoais de assinantes de um portal da internet. Ele confessou que, depois de invadir os arquivos da hoje primeira-dama, extorquiu 15 000 reais do irmão dela, Karlo Tedeschi. Disse ainda que, ao saber quem era Marcela, tentou avançar na extorsão e obter mais 300 000 reais. Souza foi detido no último dia 11 em Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, em uma operação de cinema, que envolveu quarenta agentes à paisana em onze carros. Ele está preso na carceragem da Divisão Antissequestro e deve ser indiciado por extorsão. O caso corre sob sigilo de Justiça.
O hacker disse que teve acesso a fotos de Marcela quando explorava aleatoriamente os arquivos do HD pirata, que ele adquiriu no bairro paulista de Santa Efigênia, reduto de comércio de eletrônicos. De posse de agenda de contatos de Marcela, clonou seu celular e escreveu a Karlo Tedeschi fingindo ser a primeira-dama. Na mensagem, a falsa Marcela dizia ao irmão estar sendo chantageada por um hacker que teria em seu poder duas fotos íntimas dela e pedia que depositasse 15 000 reais em uma conta bancária para que o bandido não divulgasse o material. Karlo Tedeschi caiu no trote e fez o depósito dos 15 000 reais no dia seguinte.
Duas semanas depois, ao saber que sua vítima era a mulher do então vice-­presidente da República, Souza decidiu partir para um ataque mais ambicioso. Passou a ouvir todas as mensagens de áudio do celular de Marcela armazenadas em sua conta no Whats­App. Selecionou trechos que julgou comprometedores e, desta vez, procurou a própria Marcela, de quem exigiu 300 000 reais sob pena de divulgar uma mensagem em que ela dava conselhos políticos ao irmão. Karlo Tedeschi é filiado ao PSDC e está em pré-campanha para vereador no município de Paulínia, berço da família Tedeschi. Nesse momento, quando Souza abordou Marcela, o impeachment de Dilma Rousseff estava prestes a ser votado no Senado, e Temer já começava a montar seu ministério.
Em uma das viagens que fez a São Paulo, no fim de abril, o vice teve um encontro reservado com o então secretário de Segurança Pública do estado, Alexandre de Moraes - que acaba de tomar posse como titular do Ministério da Justiça. No encontro, Temer contou o que estava ocorrendo e pediu que prendessem o hacker chantagista o mais rápido possível. Moraes recrutou policiais de estrita confiança no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e determinou que a operação fosse conduzida pelo delegado especial Rafael Correa em absoluto sigilo.
Na manhã do último dia 11, quando a mulher de Souza se dirigia a uma creche em Heliópolis onde diariamente deixa seus filhos, foi surpreendida por um vasto cerco policial. Detida, ela conseguiu enviar uma mensagem ao celular do marido, avisando que a polícia estava no seu encalço. Souza, então, sem saber que seu telefone já estava sendo monitorado, ligou para um advogado amigo. A ligação permitiu que a polícia o localizasse e o hacker foi preso logo depois da mulher, ainda nas proximidades de seu apartamento. A polícia prendeu outros dois homens, um deles dono da conta bancária que recebeu os 15 000 reais depositados pelo irmão de Marcela. À exceção do hacker, os detidos já estão em liberdade. A investigação encontra-se agora no Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária (Dipo), nas mãos do coordenador da divisão, o juiz corregedor Antonio Maria Patiño Zorz. De lá, a peça será encaminhada ao Ministério Público, onde poderá ser oferecida como denúncia à Justiça ou arquivada. O promotor que pegar o caso pode ainda achar que faltam provas suficientes para transformar o hacker em réu e pedir novas diligências.
Um dos envolvidos na operação relatou a VEJA que os investigadores chegaram a cogitar a possibilidade de que por trás da ação do hacker estivesse uma organização partidária interessada em causar danos políticos a Temer. Nada encontraram nesse sentido. "Vasculharam a vida dele (Souza) de cabo a rabo. Quando o prenderam, sabiam desde a data de nascimento da sua mãe até o dia do falecimento da sua avó." Os cuidados para manter total sigilo sobre a investigação incluíram até mesmo a omissão do nome dos envolvidos nas principais peças do inquérito policial.
No depoimento dado por Souza, por exemplo, todos os nomes que ele citou foram substituídos por codinomes. Quando o hacker fazia menção a Marcela, o escrivão registrava "Mike". Quando o hacker se referia a ele próprio, o nome que ia para os autos era "Tim". Karlo, o irmão da primeira-dama, virou "Kilo".
Segundo consta no depoimento do hacker, as fotos íntimas apenas mostravam a primeira-dama de lingerie. Não é nada devastador, mas só exibicionistas não se incomodam em ter sua intimidade exposta dessa forma. O trecho do áudio, no entanto, é intrigante porque não parece justificar uma chantagem. No depoimento, o hacker diz que a gravação mostraria Marcela dizendo ao irmão que ele precisa "fazer como Michel, se aproximar dos pobres". Fica difícil entender o motivo pelo qual uma frase tão inofensiva como essa - ou melhor, até elogiosa - poderia ser usada contra alguém. Um participante do episódio mencionou a VEJA uma mensagem de conteúdo diferente, mas essa versão não consta nos autos.
Os áudios usados por Souza para extorquir Marcela Temer dificilmente virão a público. Mesmo que a Justiça decida na próxima semana suspender o sigilo do caso, o que é praxe ao término das investigações, é provável que os advogados de Marcela peçam a destruição das provas, incluindo fotos e áudios. Esse tipo de pedido costuma ser aceito pelos juízes, já que, em casos como esse, o que se julga é a prática de extorsão, e não o objeto dela. A medida é justa. Afinal, Marcela e seus familiares são vítimas e não precisam passar por novos constrangimentos.

Curso de Padaria Artesanal motiva cidadãos a investirem em próprio negócio

O curso de Padaria Artesanal, do Fundo de Solidariedade de Caraguá tem a preocupação de oferecer qualificação profissional gratuita, fonte de geração de renda familiar e ensino de boas práticas de higiene e alimentação para seus alunos. Para isso, contam com monitores formados em São Paulo em cursos realizado pelo Fundo Social de Solidariedade do Estado.

Os alunos aprendem 10 deliciosas receitas de pães caseiros e todo o material é distribuído pelo Fundo Social da cidade e pela Secretaria de Assistência Social.

A aluna Maria das Graças Caetano Ricci, de 46 anos, com apenas duas aulas para terminar o curso, diz que há mais de um ano estava interessada em participar da profissionalização. “Eu gosto da área, é uma grande oportunidade para aumentar a renda. Consegui conquistar meu objetivo e estou vendendo bastante”, declara.

Sobre a eficácia da atividade, Maria dispara: “Quando fazemos o que gostamos, com amor, dá certo. Os pães mudaram minha vida e a meta é continuar me aperfeiçoando para fazer dessa a principal fonte de renda da minha família”, concluiu.

O curso é ministrado na sede do Fundo Social de Solidariedade de Caraguá, no Travessão e têm duração de dois meses, com turmas de até 10 pessoas, com aulas de manhã e a tarde.

Serviços: 
Fundo Social de Solidariedade - Travessão 
Pça Jorge de Castro , s/n  
Tel: (12) 3881 3715
Núcleo de Atendimento Social - Centro Comunitário e Cultural José Agostinho de Souza “Paraíba” - Morro do Algodão.
Endereço: Rua São Miguel, 1.382
Tel: (12) 3888-3447
Núcleo de Atendimento Social – Casa Branca
Endereço: Rua Pedro de Oliveira Barbosa, 779 – Casa Branca
Tel: (12) 3882-1215

Semana do Bebê e do Brincar se encerra sábado (21)

A Semana do Bebê e do Brincar encerra neste sábado (21/5/2016) com passeata e palestra, alusivas ao Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, nos bairros das unidades escolares municipais. Alunos e familiares participam de várias atividades recreativas.
O evento iniciado na segunda (16) tem o propósito de ressaltar para a sociedade, o valor da Primeira Infância como uma etapa primordial de desenvolvimento dos aspectos cognitivo, emocional, físico e social. Além de também prevenir situações de risco no que diz respeito ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Esse ano o tema trabalhado foi os esportes olímpicos. Corrida de cavalinho de pau, numa referência ao hipismo; corrida com obstáculos; de revezamento com a passagem do bastão e bolas no cesto, foram algumas das brincadeiras desenvolvidas com as crianças. Foi incentivado também, a pesquisa sobre a história dos anéis olímpicos, da tocha e a importância da prática desportiva.
Alguns pais conseguiram uma brecha no horário de trabalho e foram até as escolas durante a semana. No CEI/EMEI Profª Aparecida Maria Pires, a agente de saúde, Mariana Silva Carvalho, conseguiu prestigiar o momento do desfile olímpico da filha, Olívia, de 3 anos.
“Se todos os pais pudessem estar presentes, seria ótimo. A participação dos pais na vida escolar é muito importante”, afirmou.
Ainda na mesma escola, a dona de casa, Rosa Alves Paiva, 31 anos, foi acompanhar os filhos Estela, 2 anos e, Marcelo, 3 anos. “Essa ação sobre as Olimpíadas desperta na criança o espírito de competição e interação. Fico satisfeita com os eventos que a creche promove”, disse.
A Semana do Bebê e do Brincar é uma realização do Governo Municipal, por meio das secretarias de Educação, de Desenvolvimento Social e de Cidadania, Saúde, Trânsito e Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba (Fundacc) que, com ações articuladas, interagem para mobilizar a comunidade escolar sobre a importância de valorizar a Primeira Infância.
História - A Semana do Bebê começou há 14 anos em Canela (RS) e, em 2010, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a experiência foi sistematizada e apresentada em vários municípios. Tem o objetivo de tornar o direito à sobrevivência e ao desenvolvimento de crianças de até 6 anos, prioridade na agenda dos municípios brasileiros.  Já a Semana do Brincar foi criada em 2009 pela ONG Aliança pela Infância, com o objetivo de lembrar os adultos sobre a necessidade de preservar e respeitar o tempo das crianças brincarem.

Estabelecimentos inscritos no Caraguá a Gosto podem participar de programa na TV

As inscrições para o 11º Caraguá a Gosto já estão abertas e podem ser feitas até 27 de maio. Os estabelecimentos inscritos até a próxima terça-feira (24) participarão do sorteio para os programas jornalísticos e de entretenimento que serão veiculados na TV, nos dias 27 e 28 de maio e 3 e 4 de junho.
O Caraguá a Gosto, que se realizará no período de 1º de agosto a 4 de setembro, tem o objetivo de atrair turistas e visitantes na baixa temporada e, consequentemente, aumentar e diversificar a culinária local, além de fortalecer o comércio da cidade.
Os estabelecimentos interessados em participar podem se inscrever na sede da Associação Comercial (Rua São Sebastião, 19 – Sumaré), das 9h às 16h30.
O evento gastronômico traz algumas novidades este ano, como a Aula Show do máster chef Henrique Fogaça no dia 20 de julho e os shows do Jazz e Vinhos nos dias 5, 6 e 7 de agosto, com Chico Oliveira e Banda, Serial Funkerss e Felipe Blues e Banda, respectivamente.
O Caraguá a Gosto é realizado pelo Governo Municipal, por meio da Secretaria de Turismo, com o apoio da Associação Comercial de Caraguatatuba, Sebrae, ETEC (Escola Técnica Estadual) e AHP (Associação de Hotéis e Pousadas de Caraguatatuba).

Abertas inscrições para o concurso Empresa Inclusiva

Pelo terceiro ano consecutivo, o Governo Municipal, por meio da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso (Sepedi), realiza o concurso “Empresa Inclusiva”. As inscrições já estão abertas e prosseguem até o dia 30 de junho.
O objetivo é incentivar e premiar as empresas do município de diferentes categorias, que se destaquem na implementação de ações promotoras da acessibilidade e da empregabilidade de pessoas com deficiência e idosas, que criam condições de inserção no mercado de trabalho, acesso e participação a bens e serviços.
As empresas terão acompanhamento e orientações técnicas gratuitas, oferecidos por profissionais da Sepedi.
Podem concorrer estabelecimentos de Comércio e Serviços de Caraguá nas seguintes categorias: microempresa (até nove funcionários); pequeno porte (10 a 49 funcionários); empresa de médio porte (50 a 99 funcionários); e grande porte (acima de 99 funcionários).
O primeiro lugar nas categorias empresa de grande e médio porte receberá R$ 10.000,00 (dez mil reais) e troféu. O primeiro lugar nas categorias pequena e microempresa receberá R$ 8.000,00 (oito mil reais) e troféu. O selo poderá ser utilizado nas veiculações publicitárias para promover serviços e produtos da empresa. Os vencedores também terão publicidade nos eventos da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso e do Governo Municipal.
As inscrições são efetuadas na sede da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso, na Avenida Jorge Burihan, 10, bairro Jardim Jaqueira, ao lado da Rodoviária, de segunda a sexta, de 8h às 12h e de 14h às 17h.
A premiação ocorrerá no dia 3 de dezembro, data em que se comemora o “Dia Internacional da Pessoa com Deficiência”.
Critérios
As empresas participantes serão avaliadas por uma comissão julgadora, formada por profissionais interdisciplinares que já desenvolvem trabalhos na área de inclusão e acessibilidade. Dois critérios serão julgados: Empregabilidade e Acessibilidade.
Na primeira área serão analisados os seguintes itens: contratação e tempo de serviço; condições de trabalho; quantidade de pessoas com deficiência e idosos; tipos e graus de deficiências; variação de Idade; capacitação referente à atividade e função profissional; sensibilização com a equipe de trabalho; valorização.
Na segunda, as questões: atendimento prioritário; estacionamento ou área de embarque e desembarque; calçada e entrada do estabelecimento; circulação; ambientes; mobiliário interno; sanitários; sistema de comunicação e sinalização; e tecnologia assistiva empregada.

Vinicius Carvalho propõe cota social em faculdades e concursos públicos‏


O deputado federal Vinicius Carvalho apresentou o Projeto de Lei n° 5008/2016 quesubstitui o sistema de cotas raciais em vigência, pela aplicação das cotas sociais como único critério de seleção nas instituições públicas de ensino e concursos públicos.

Introduzido em 2012, a cota racial propõe compensar a responsabilidade histórica dos malefícios causados pela escravidão, entretanto, a fragilidade do sistema gerou vários casos de fraudes registrados.

"Não podemos mais dividir o Brasil entre brancos e negros. A vulnerabilidade social não tem cor. Como a lei determina a chamada autodeclaração, há muitos relatos de candidatos que conseguiram uma vaga na cota racial, sem fazer jus", disse.

De acordo com o projeto, 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos ou nas instituições federais de educação pública serão destinadas a candidatos procedentes de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo.

"No Brasil, as pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social são um grupo muito mais diversificado do que apenas os afrodescendentes. O cerne do problema é: como diminuir a desigualdade social no Brasil? Ao meu ver apenas com a inclusão dos excluídos, ou seja, por meio da cota social", avaliou.
 
megaphone
Telefone do escritório político: (11) 3256-3540. Atendimento de segunda a sexta, das 09h às 18h
 
Informações adicionais. Escritório em Brasília: Gabinete 356, Anexo IV, Câmara dos Deputados, CEP: 70160-900. Brasília-DF.​/ Telefone: +55 (61) 3215-5356/ Escritório em São Paulo: Rua Marconi, n° 31, 4° andar,República/  CEP: 01047-000. São Paulo- SP/ Telefone: +55 (11) 3256-3540
 

Professores participam de Seminário Formar em Rede Mais

Diretores, coordenadores pedagógicos e professores de 14 unidades escolares municipais de Caraguá participaram nesta semana, na Secretaria de Educação, do 1º Seminário do Programa Formar em Rede+.
O encontro abordou o papel dos gestores, principalmente dos coordenadores, como formadores na comunidade escolar. Também foram incluídos assuntos como: de que forma os professores podem criar intimidade com os textos e como recontá-los às crianças e as práticas de leitura e escrita no contexto cotidiano nas escolas.
O evento teve o objetivo de fortalecer as políticas públicas na Educação Infantil, voltadas à faixa etária de 4 a 5 anos e 11 meses de idade, por meio de qualificação técnico-pedagógica. O tema “Aproximação da Cultura Escrita” será desenvolvido no decorrer deste ano letivo.
A instrutora Ana Lúcia Bresciane, do Instituto Avisa Lá (SP), mediadora do seminário, avaliou que a rede municipal está bem estruturada desde a formação do Apoio Pedagógico e Supervisão quanto das equipes gestoras e professores. “Aqui existe uma prática da formação além das unidades escolares terem uma boa infraestrutura e material de trabalho. Nosso desafio no decorrer do programa é estimular produções que reflitam a identidade das crianças em cada comunidade, que elas se apropriem mais do ambiente escolar”, disse. 
A professora de Educação Infantil e Fundamental 1, Amanda Hatagami, disse que o seminário foi dinâmico e proporcionou um novo olhar para as práticas já executadas em sala de aula. “Mostrou outro modo de atuarmos com as crianças. Foi nota 10.”, avaliou. A colega Tálita Sierra acrescentou que a formação foi positiva e concreta. “O conteúdo se alinha ao programa Ler e Escrever e com o conteúdo programático do Fundamental. Já apliquei algumas técnicas em sala de aula e deu excelente resultado”, afirmou.
O Programa Formar em Rede+ tem duração de um ano, podendo ser renovado por igual período. Caraguá foi um dos seis municípios escolhidos no Brasil pelo Programa, que tem parceiros como o Instituto Sonho Grande, financiador, o Instituto Avisa Lá, responsável técnico, e as Secretarias Municipais de Educação.

Deputado de MG pede à PGR suspeição de Mendes para investigar Aécio



O ministro Gilmar Mendes, ao tomar posse do cargo de presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)O líder da bancada governista na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado estadual Rogério Correia (PT) entrou nesta quarta-feira (18) com um pedido de suspeição na PGR (Procuradoria Geral da República) contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, em relação aos casos em que envolvem acusações contra o senador Aécio Neves (PSDB). 
Gilmar Mendes foi escolhido por sorteio para ser relator do pedido de abertura de inquérito para apurar o envolvimento do tucano com irregularidades em Furnas e decidiu que não há motivos para investigações do Senador. As denúncias foram feitas pelo próprio Correa, o que levou às investigações e posterior denúncia contra o senador pela PGR.
Segundo Correa, o ministro "diversas vezes já manifestou antipatia ao Partido dos Trabalhadores, ao ex-presidente Lula e à presidenta (afastada) Dilma Rousseff".

"Gilmar Mendes se mostra "amigável" ao senador Aécio Neves sempre que há alguma suspeita contra o tucano", disse o parlamentar

Na peça apresentada à PGR, o deputado afirma que entregou pessoalmente "fartas provas da participação do senador Aécio Neves no esquema de corrupção na estatal Furnas, o que levou ao encaminhamento do primeiro inquérito ao STF (Supremos Tribunal Federal)".

"O ministro Gilmar Mendes devolveu o inquérito à PGR, para reavaliação. Embora esse mesmo conjunto de provas, de conhecimento de autoridades estaduais e federais, tenha sido considerado suficiente para a abertura de procedimento pela procuradoria federal, de inquérito na PC (Polícia Civil) de Minas Gerais, além de dois procedimentos, um no MP (Ministério Público) de Minas Gerais, e um no MPF (Ministério Público Federal), não foi considerado suficiente para o ministro (Gilmar Mendes)".

O deputado afirmou ainda em seu pedido à PGR que, questionado sobre a decisão do então advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, de entrar com novo recurso na corte, visando anular o impeachment, o Gilmar Mendes afirmou: "Ah, eles podem ir para o céu, o Papa ou ao diabo".
A assessoria de Aécio Neves disse que o senador  não comentaria o pedido de suspeição de Mendes.  Já o magistrado havia declarado na segunda-feira (16) que não pediu o fim das investigações. "Trata-se de mera suspensão de diligências, não houve cancelamento de absolutamente nada", declarou o ministro.
Outro lado
 
O líder da oposição ao governo petista de Minas Gerais, deputado estadual Gustavo Valadares (PSDB), criticou a iniciativa de Correa.
 
"Ninguém leva mais a sério aqui (em Minas Gerais) o que o deputado Rogério Correa diz ou fala. É um piadista e faz outra de suas piadas, procurando os holofotes", afirmou Correa.
 
"Porque ele (Correa) nunca questionou antes os ministros do STF que foram advogados do PT?", indagou o parlamentar.
 
"O deputado virou uma coisa folclórica".

Gilmar Mendes ironiza Dilma após crítica por suspensão de inquérito contra Aécio



Gilmar Mendes é relator, no TSE, da prestação de contas da presidente afastada
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ironizou a crítica da presidente Dilma Rousseff (PT) à suspensão das diligências no inquérito que investiga o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O inquérito foi autorizado por Gilmar Mendes, mas foi suspenso 24 horas depois.

"Posso fazer uma ironia sobre a presidente Dilma? Vou só falar sobre a presidente Dilma nos autos", afirmou Gilmar Mendes nesta sexta-feira (20), em visita ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.
Em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald, publicada nesta quinta-feira (19) pelo site "The Intercept", Dilma afirmou julgar "estranha" a suspensão. "Pelo que eu saiba, nenhuma ação teria sido suspensa até então, nenhuma ação de pessoas investigadas pela Lava Jato".
A petista pontuou que Mendes é apenas um dos integrantes do STF, e que nem todos têm a mesma posição "visivelmente militante" do juiz. "Acho que no Brasil nós não podemos ter dois pesos e duas medidas. Quando se investigar, que se investiguem todos. Ninguém pode ser poupado da investigação", defendeu.
Dilma é alvo de um pedido de investigação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no Supremo.
Gilmar Mendes é relator, no TSE, da prestação de contas da presidente afastada referente às eleições de 2014. No ano passado, o ministro pediu a investigação de suposta prática de atos ilícitos na campanha que reelegeu Dilma mesmo após as contas da petista terem sido aprovadas com ressalvas pelo TSE.
A determinação teve como base informações reveladas pela Operação Lava Jato de que a campanha foi financiada com recursos desviados da Petrobras.
Além da prestação de contas do partido, tramitam no TSE quatro ações questionando supostas irregularidades nas contas da chapa eleita em 2014 e que pedem a cassação do mandato de Dilma e do presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), e que estão sob a relatoria da ministra Maria Thereza de Assis Moura.

"Temos um ministério de homens velhos, ricos e brancos", diz Dilma em BH

A presidente afastada Dilma Rousseff fala com manifestantes contrários ao seu impeachment durante ato em Belo Horizonte
"Temos um ministério de homens velhos, ricos e brancos, sem negros e sem mulheres", afirmou a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) para os participantes do 5° Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais, que acontece na capital mineira, e de uma manifestação, na praça Afonso Arinos, organizada pela FBP (Frente Brasil Popular). "Esta é a cara e a face mais triste do governo [Temer]".

Dilma voltou a fazer críticas ao deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "O governo tem um grande personagem, que indica ministros, líderes de governo que é o ex-presidente suspenso da Câmara. Esse senhor é o responsável pela face mais conservadora do Congresso Nacional".
 
Ao falar do governo do presidente interino, Dilma brincou com a plateia, que chamava de governo "golpista". "O caráter provisório do governo [Temer] é importantíssimo e deve ser enfatizado", afirmou.
 
Dilma também afirmou que a partir de agora vai transformar-se em uma "zeladora" da democracia e dos direitos da população. "Tempos atrás, queriam que eu fosse faxineira. Mas, agora, estou atrás de ser zeladora da democracia e dos direitos populares", afirmou a presidente afastada.
 
A presidente criticou as primeiras iniciativas anunciadas pelo governo Temer, entre elas, uma reforma na Previdência Social. "Não se pode misturar direitos previdenciários e assistenciais", disse.
 
A presidente afastada ainda atacou a política externa anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra. Ela citou frase que disse ser do compositor Chico Buarque, em que ele dizia que a tradicional política brasileira era falar fino com os países ricos e falar grosso com países como a Bolívia. "Nossa política é a que deu valor à América Latina, à África, aos Brics, e foi o que deu respeito ao Brasil", lembrou.
 
Dilma participou nesta sexta-feira (20) de seu primeiro ato político num hotel no centro de Belo Horizonte, uma semana após o seu afastamento da Presidência da República. Com a presenca de poucas liderancas do PT de Minas Gerais, entre elas, os ex-ministros Patrus Ananias, Otavio Duci e Nilmario Miranda, a presidente afastada foi recebida por cerca de mil pessoas, segundo estimativa da Policia Militar. Os organizadores calculam em 20 mil.
 
Convidados para o evento, nem o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram do encontro.
 
Na quinta-feira (19), o governo Michel Temer mandou suspender o patrocínio da CEF (Caixa Econômica Federal) ao evento desta noite dos blogueiros e ativistas, que são contrários ao impeachment de Dilma Rousseff. O patrocínio de R$ 100 mil do banco estatal havia sido autorizado pela petista.

Como mudar uma cidade de lugar? Pergunte a Kiruna, na Suécia



A cidade mais ao norte na Suécia, Kiruna, voltou ao noticiário nesta semana com os relatos de que seria deslocada (sim, deslocada) cerca de 3 quilômetros para o leste. E, ao menos desta vez, a história incomum do Círculo Polar Ártico não tinha nada a ver com a mudança climática.

Espere, o quê? Por que uma cidade precisaria ser deslocada?

O plano de deslocamento de Kiruna está sendo preparado há alguns anos. A cidade, confortavelmente dentro dos limites do Círculo Polar Ártico e lar de pouco mais de 18 mil habitantes, está construída em uma colina sobre uma vasta mina de minério de ferro. Fundada em 1900 por uma empresa estatal de mineração, Kiruna é uma cidade industrial há mais de um século.

Agora, a mineração está simultaneamente ameaçando a cidade e pagando pelo seu deslocamento. À medida que a mina na divisa oeste de Kiruna se aprofunda cada vez mais no solo, o minério de ferro está sendo removido sob as fundações da cidade, literalmente minando o solo onde ela se encontra.

Se o deslocamento não ocorresse, grande parte da cidade poderia ruir ao longo do próximo século com a cessão do solo, parte de um processo chamado de deformação do solo. Felizmente, a mineradora, a Luossavaara-Kiirunavaara AB (geralmente abreviada como LKAB), está dedicando mais de US$ 1 bilhão para o deslocamento dos moradores de Kiruna.

Quando o deslocamento ocorrerá?

O deslocamento ocorrerá em fases, e a primeira já começou. A LKAB, que está construindo uma nova prefeitura, deu início às obras em setembro de 2014, e a construção teve início um ano depois.

A LKAB e a prefeitura de Kiruna estão coordenando em conjunto o deslocamento, e em um curto documentário lançado pelo governo sueco na terça-feira, os moradores parecem não saber quando grande parte da mudança ocorrerá. Mas Erika Lindblad, uma porta-voz da LKAB, disse que muitas pessoas se mudarão "em poucos anos". Ela confirmou que apesar do deslocamento ter sido planejado, ainda há muitos arranjos que precisam ser feitos. Cerca de 400 famílias já se mudaram.

A cidade toda será deslocada?

Alguns prédios, incluindo a Igreja de Kiruna, que em 2001 foi votada pelos suecos como o edifício mais bonito do país, serão deslocados para o novo centro da cidade, assim como a amada torre do relógio da atual prefeitura.

Mas a grande maioria dos prédios será demolida e reconstruída no novo local, com muitos novos imóveis residenciais adicionados. Segundo o documentário, a LKAB comprará os antigos imóveis residenciais dos moradores, pagando 125% do preço de mercado predeterminado.

Em um vídeo promocional para o projeto encomendado pela White Arkitekter, a firma sueca que ganhou o concurso para reprojetar a cidade, Mikael Stenqvist, um arquiteto da firma, explicou: "Kiruna será como uma centopeia, se movimentando lentamente cerca de dois quilômetros para o leste".

Deve ser a primeira vez que algo assim acontece, não é?

Não. Nem de perto.

A cidade natal de Bob Dylan, Hibbing, Minnesota, foi deslocada cerca de 3 quilômetros para o sul de sua localização original entre 1919 e 1921. Em uma situação que lembra a de Kiruna, Hibbing foi deslocada para permitir que uma mineradora pudesse explorar o minério de ferro supostamente existente sob ela. Hibbing foi fundada cerca de 10 anos antes de Kiruna.

Outras cidades, incluindo Hill Village, em New Hampshire, e Tallangatta, na Austrália, foram deslocadas para evitar a inundação provocada pela construção de novas represas. Um subúrbio de Louisville, Kentucky, foi deslocado depois que moradores passaram a ser atormentados pelo barulho de um aeroporto próximo e, é claro, cidades por todo o mundo estão considerando o deslocamento em resposta à mudança climática.

Então, isto realmente não tem nada a ver com a mudança climática?

Aparentemente não. Apesar da mudança climática ameaçar populações por todo o mundo, Kiruna é ameaçada pela abertura de buracos no solo, não pela elevação do nível dos mares. A temperatura média anual em Kiruna é de cerca de 2,2º C negativos, segundo a Climate-Data.org.

Quanto isso custará?

Como o projeto prosseguirá ao longo de grande parte deste século, é difícil prever o custo total. Mas Lindblad, a porta-voz da LKAB, disse que a empresa destinou cerca de 12 bilhões de coroas ao projeto, ou muito mais de US$ 1 bilhão.

Quanto tempo o processo levará?

A White Arkitekter descreve sua visão para a cidade como um "plano diretor de 100 anos", o que dá uma boa ideia da escala do empreendimento. Para vencer o concurso para reprojetar a cidade, ela teve que apresentar um plano de 20 anos, que prevê grande parte do deslocamento até 2033.

Eva Ekelund, que é responsável pelo departamento de terras e desenvolvimento da cidade, disse ao jornal "The Guardian" que "também há ferro sob o centro da nova cidade", o que levanta o espectro de um novo deslocamento mais para o futuro. Mas não está claro se a cidade precisará algum dia ser deslocada de novo.

Dilma deve levar impeachment a tribunal internacional, defende Flávio Dino


O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), em entrevista no programa Roda Viva, da TV CulturaUma das principais vozes contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) defendeu, que o mérito do afastamento da petista deve ser judicializado não só no Brasil, mas também levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos -- a qual o Brasil é signatário.
Apesar das duras críticas ao processo, ele diz que espera ter uma relação saudável com o presidente interino Michel Temer e afirma haver uma separação entre os argumentos jurídicos e o lado institucional do governador Flávio Dino.
Na entrevista, o ex-juiz federal também comenta o apoio da família Sarney (que sempre fez alianças com o PT) ao impeachment, a possível união da esquerda após o afastamento de Dilma e afirmou ver com preocupação o que chama de "direitização" das instituições no país.
O senhor foi uma das maiores vozes contrárias ao impeachment de Dilma. Após esse discurso todo, como fica a relação agora com o governo interino instalado?
Flávio Dino - Primeiro reitero minha crítica a esse processo. Está muito evidente que não houve crime de responsabilidade e por isso não caberia impeachment. Aparentemente esse é um debate superado, mas a meu ver não é --acho que considerar superado seria desrespeitoso ao Senado. Agora é que começa o processo, liderado pelo presidente do Supremo [Ricardo] Lewandovsky. De fato teremos um debate de mérito agora, e é um dever dos democratas e dos que acreditam na autoridade da Constituição continuar essa defesa. Continuo firme nesse ponto de vista. Mas, além disso, temos uma situação de fato, um governo interino, e é obrigação minha, como governador, me relacionar com ele. Há uma distinção entre a visão política e jurídica, que mantenho intocada, e a necessidade de dialogar; e é isso que estamos fazendo nesse momento.
Acho que, posteriormente, deve ser provocada a Corte Interamericana de Direitos Humanos, sobretudo se o Supremo disser que o tema não é judicializável
Apesar de ser do PCdoB, aliado histórico do PT, o senhor não foi apoiado em nenhuma das candidaturas ao governo do Maranhão pelo PT. Ao contrário, o partido sempre apoiou no Estado a família Sarney. Mas nesse processo foi o senhor quem defendeu Dilma, e os Sarney apoiaram o impeachment. O PT foi, digamos, mordido pela cobra que criou?
Acho que o PT enfrenta um processo de debate interno, de reflexão, que acompanhamos com muita atenção. Esse é uma questão muito viva, sobre a natureza das alianças que podem e devem ser feitas, e o nível de concessões cabíveis para manter essas alianças. Acho que é uma questão muito candente pelo próprio resultado recente, em que grande parte desses aliados do chamado centro politico optou por um outro caminho que não a sustentação desse ciclo político iniciado por Lula e continuado por Dilma. Acho que situações como do Maranhão são bem ilustrativos. O PMDB de hoje é bem distante daquele democrático e progressista que defendeu a assembleia constituinte dos anos 80, por exemplo. Essa crise traz uma reflexão sobre a esquerda, mas também sobre esse dito grupo do centro democrático, que infelizmente acabou sucumbindo a teses retrógradas e exóticas --que são muitas dessas que acabaram sustentando esse processo de impeachment.
Mas depois de receber tantos apoios, lutar pelo impeachment não foi uma traição dos Sarney?
De um modo geral, sem me referir particularmente aos Sarney, acho que é muito estranho que pessoas que até ontem apoiavam, aplaudiam e se beneficiavam desse governo migrem para uma oposição diametralmente oposta. Fica bastante esquisito que, num quadro de polarização, você tão abruptamente negar o ponto de vista que defendeu por 13 anos. Acho que isso não se refere só ao grupo Sarney, tivemos muitos outros casos em que essa metamorfose ocorreu. Isso não é bom porque precisamos de estabilidade política, e isso só se faz com maior nível de nitidez ideológica, tanto dos atores, como dos programas e das alianças.
Reaglutinação da esquerda institucional partidária acabou sendo um subproduto positivo nesse quadro de dificuldades
Essa crise servirá para reaglutinar a hoje dividida esquerda brasileira?
Esse é um subproduto da crise, que não foi calculado ou planejado, mas é bem-vindo. Acho que instituições como a Frente Brasil Popular, como a Frente Povo Sem Medo, e essa reaglutinação da esquerda institucional partidária acabou sendo um subproduto positivo nesse quadro de dificuldades. E considero isso um caminho para retomar um ciclo para reconexão entre o pensamento de esquerda progressista avançado com a maioria da sociedade. No terreno institucional é muito importante existir uma frente orgânica similar à frente ampla uruguaia, ou a concertacion chilena, que em determinado momento acabou se conformando com derrotas e se juntando para dar conta de certas tarefas. Temos o risco de retrocessos objetivos de política institucional social e inclusiva. Acho que isso demanda um nível de união mais alta para preservar essas conquistas e possibilitar um ciclo de novas.
O senhora acha que PT fez um governo realmente de esquerda?
Sem dúvida foi um governo com forte presença de esquerda, com politicas de caráter distributivo, que apontavam no sentido da diminuição da desigualdade. Essa são políticas muito especiais para quem tem o pensamento de esquerda. Diria que foi um período cheio de contradições, que avançou pouco em determinados temas, mas foi um período de muitas conquistas sociais. Talvez apenas no curto período de João Goulart e no segundo governo [de Getúlio] Vargas tivemos um governo de tantos avanços e desenvolvimento de conquistas sociais.
Mas o senhor concordava com a política econômica de Dilma? Essa crise não pesou nessa decisão de retirá-la do poder?

A presidente afastada, Dilma Rousseff
Nós sempre descordamos, no nosso partido, assim como os próprios governadores do Nordeste, da política econômica. Pedimos revisão. Acho que, de fato, foi a questão mais aguda. Não há governabilidade politica, institucional apartada de uma governabilidade social. Não se constrói maioria parlamentar se não tiver maioria na sociedade. Quando se pratica uma politica econômica que isola o governante da maioria das pessoas, isso leva a problemas políticos institucionais.
Antes da saída de Dilma o senhor falou que o impeachment era uma espécie de "desculpa" para implantar uma pauta conservadora e liberal no país. As primeiras medidas do governo Temer confirmam isso?
Infelizmente, sim. Eu particularmente gostaria de estar errado, gostaria que determinadas medidas bastante estranhas não tivessem sendo adotadas. Nós temos um processo muito perigoso de "direitização" ideológica das instituições, e infelizmente o impeachment contribuiu com isso. Eu diria que houve até a perda de um certo de pudor na defesa de posições de caráter racista, discriminatório de mulheres e negros, que são subprodutos desse processo. É como se a violência institucional, como a que foi praticada, acabasse despertando outros riscos. A meu ver isso é muito grave.
Nós temos um processo muito perigoso de "direitização" ideológica das instituições
O senhor acha que é possível o Senado absolver Dilma?
Do ponto de vista jurídico, há muita consistência na defesa manifestada pela presidente Dilma. Claro que é um quadro de muita dificuldade, mas teremos um tempo. Qualquer tipo de avaliação hoje incorre no erro de ser datada, não leva em conta que o julgamento vai ocorrer daqui a alguns meses. Acho que é direito e dever da presidente, e direito e dever de todos que se opõem ao impeachment, continuar manifestando a sua crítica.
Judicializar a questão seria uma boa alternativa?
Acho que sim, acho que há um espaço de debate a partir da própria jurisprudência do Supremo sobre a proporcionalidade da sanção. Vamos imaginar que houve alguma irregularidade fiscal, e compraremos com uma irregularidade no trânsito. Vamos imaginar que, num absurdo, um juiz ou uma órgão administrativo, em fase de uma pequena irregularidade, aplicasse a sanção máxima previsa em lei, Qualquer pessoa que lê a minha afirmação vai concordar que é judicializável.
Mas o Congresso não poderia aplicar uma pena intermediária...
Nesse caso, não; mas agora essa é a pergunta que deve ser feita ao Supremo. O impeachment é uma pena de morte de um mandato popular e de direitos políticos de oito anos. Há proporcionalidade dessa pena por pequenas irregularidades contábil e fiscal? Imagino que o Supremo vai se ver diante de uma questão bastante relevante, até porque ele tem feito reexame de penas quando aplicadas por juízes criminais. Então, como o processo de impeachment tem natureza híbrida, é politico e sancionatório, acho muito razoável uma reflexão em torno da questão da proporcionalidade. Assim como acho que, posteriormente, deve ser provocada a Corte Interamericana de Direitos Humanos, sobretudo se o Supremo disser que o tema não é judicializável, porque aí vai se colocar outra questão que é o esgotamento de recursos jurídicos no sistema interno. Segundo as convenções dessas cortes supranacionais, esse é um pressuposto de atuação, quando fica evidenciado que as cortes se recusaram a reexaminar uma ofensa a um direito. Isso legitima ainda mais o pronunciamento de cortes que são brasileira também, uma vez que o Brasil é signatário delas. É um longo debate pela frente.
Se eu tivesse novamente esse pedido de opinião [de suspensão do impeachment por Waldir Maranhão], assim como me manifestei, faria 20 vezes de novo
O senhor acredita que Dilma teria condições de governabilidade em um eventual volta ao governo?
Acho que a pergunta é invertida: o presidente interino Temer tem condições de governabilidade? Já essa sua pergunta foi respondida politicamente: houve o afastamento na Câmara e no Senado. É muito precoce afirmar para qualquer um de nós, é uma questão que terá que de ser provada nos próximos meses. No julgamento do Senado haverá duas perguntas, como se fosse um tribunal de juri, e não uma só questão. A primeira: há capacidade de Dilma de retornar ao governo? E o outro quesito é há capacidade do governo interino de ter a governabilidade, que a meu ver não está dada hoje?

O presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA)
O presidente Waldir Maranhão me procurou com um recurso que havia sido proposto pela AGU (Advocacia Geral da União), e pediu minha opinião jurídica. Eu li o recurso, ele trouxe também uma proposta de decisão acolhendo; debatemos isso, concordei com ele, como concordo até hoje, por colocar questões que até hoje não foram examinadas. Havia um ofício do presidente da comissão Senado Raimundo Lira (PMDB-PB) perguntando sobre desfecho do recurso; ele foi provocado a decidir. Politicamente, infelizmente, houve um movimento muito forte que o levou a rever sua decisão. Se eu tivesse novamente esse pedido de opinião, assim como me manifestei, faria 20 vezes de novo.
A revogação frustrou o senhor?
É como eu disse: discordei e discordo.
Ele consultou o senhor pra revogar a decisão?
Ele não consultou; ele me ligou por volta da meia-noite e disse que havia uma pressão muito forte na Câmara e no Senado, e que a medida não tinha apoio politico para ser implementada; invocou principalmente uma movimentação dentro do partido dele, que fez um movimento muito forte. Eu não teria revogado, mas respeito.
O senhor acha que ele deve seguir na presidência da Câmara?
Não há nenhuma razão para ele sair do cargo. Ele exerce a interinidade como Michel exerce. Ele exerce por força do Senado, e o Waldir, por força do Supremo. São situações iguais, acho que ambas as interinidades devem ser respeitadas.