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domingo, 14 de agosto de 2011

A folga do malandro: Zeca Pagodinho revela que reunir a família no Dia dos Pais é sagrado

Nada de roda de samba, palco ou plateia. Todo segundo domingo de agosto é sagrado: Zeca Pagodinho reúne a família em torno do patriarca Jessé, de 84 anos, para comemorar o Dia dos Pais.
— E ai de quem não for! — ameaça o sambista, que faz questão de manter essa tradição.
Aos 52 anos, o cantor e compositor, filho da também “oitentona” Dona Irinéia, tem orgulho da família e da carreira que criou e construiu. Com os desafios, aprendeu a conciliar a vida de boemia com as obrigações e responsabilidades do dia a dia. Em dezembro, comemora com a mulher e companheira Mônica Silva, de 42 anos, bodas de prata. Com ela divide, há 25 anos, a criação dos quatro filhos, Eduardo, de 24, Louiz Carlos, de 22, Eliza, de 19, e Maria Eduarda, a caçulinha Duda, de 7, e também a babação por Noah, o primeiro neto, de 1 ano e meio.
Aniversários, Dia de Finados e Natal — data em que se transforma no Papai Noel de Xerém — são outros momentos em que Jessé Gomes da Silva Filho, seu nome de batismo, toma o lugar do músico e assume o papel de filho, marido, pai e avô dedicado.
— Não posso deixar esse Zeca Pagodinho famoso muito tempo encarnado, não. Ele acaba me arrumando problema — brinca ele.
Em outros momentos considerados “normais”, o cantor deixa de lado o manto da fama para pagar contas no banco, orientar os filhos e cuidar do netinho Noah.
— Ser avô é uma segunda chance de acertar o que talvez tenhamos feito de errado com os filhos — filosofa ele, um coruja confesso, que espalha pequenos instrumentos musicais (pianinhos, cavaquinhos e afins) pela casa para incentivar o neto.
Curiosamente, Zeca também é o responsável pela decoração do apartamento e do sítio da família. Como ele adora obra!
— Zeca faz questão de ver tudo. Da cor da parede ao piso. Ele já disse que a decoração do apartamento precisa mudar e que vai levar alguns móveis para Xerém — entrega Mônica.
A porção arquiteto do compositor tem explicação: é herança genética.
— Meu tio trabalhava com madeira e ele metia a mão na massa, fazia tudo. Eu não faço, mas herdei a visão de espaço. Gosto de mudar — conta, mostrando o piso de madeira recém-pintado no apartamento em que mora, na Barra.
E se as contradições parecem procurá-lo, o santo forte e o carinho da família também fazem parte da trajetória de Zeca. Em homenagem ao Dia dos Pais, os filhos, sempre reservados, resolveram soltar o verbo. Os quatro compartilharam o amor e o orgulho que sentem do pai famoso aqui na Canal Extra.

Zeca Pagodinho conversa com a Canal Extra
Zeca Pagodinho 
Malandragem x necessidade
“Falei pra você que eu não sou mais disso / não perco mais o meu compromisso / Não perco mais uma noite à toa / não traio nem troco a minha patroa”.
Em 1996, “Não sou mais disso”, em parceria com Jorge Aragão, surgiu da necessidade de mostrar o lado família e responsável do malandro que nunca negou ser. Mas, sabe como é, o passado comicha. Da cobertura onde mora, Zeca saca um binóculo para monitorar os amigos que, por ventura, possam estar bebendo uma cervejinha no quiosque, em frente ao prédio.
— Quando a gente é novo, tem mais chance de fazer besteira. É um problema. Eu gosto de muita coisa que não presta. Mas senti que era hora de dar uma freada, pela família, pelo trabalho e as responsabilidades. Só não virei santo — confessa, lembrando o resto da canção: “às vezes volto pro lar / pra tomar banho e jantar / só tomo uma no bar, bastou”.
A maturidade dos quase 30 anos de carreira e os mais de 50 de idade transformaram o homem.
— Hoje, durmo cedo, pode acreditar. A Mônica coloca minha filha mais nova na cama, antes da 21h. Depois é o Noah. Na maioria das vezes, durmo durante a novela. Vou ficar acordado sozinho pela casa? Eu, não! — brinca o sambista.
Apesar de botafoguense, Zeca jura que não liga para futebol. Na TV, gosta de ver jornais — garante que assiste a todos — e dos programas de humor. Quanto ao boato de ser noveleiro, ele bem que tenta despistar, sem conseguir convencer.
— Eu vejo porque a Mônica vê. Mas gostei tanto do “Bem amado” (1973), que fugia da escola para assistir, o que me fez repetir de ano duas vezes — relembra o cantor, fã assumido de outro folhetim: “Pai herói”.
Isso também fica evidente nas relações de Zeca com as pessoas que o cercam. Os 14 músicos que fazem parte da banda estão com ele há uma década. As amizades de antes da fama ainda são as mesmas:
— Alguns se limaram da minha vida por vacilo. Nem todo mundo consegue separar o amigo do cantor. Mas quem frequenta minha casa é a mesma galera que sempre esteve na minha vida.

Retrato da união: o filho mais velho, Eduardo, Eliza (de azul), Maria Eduarda, Zeca e o filho Louiz em um momento de comemoração
Retrato da união: o filho mais velho, Eduardo, Eliza (de azul), Maria Eduarda, Zeca e o filho Louiz em um momento de comemoração 

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