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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Líbia vai retomar produção de petróleo em 15 dias, diz conselho de transição

TRÍPOLI - Após meses de paralisação na produção de petróleo, o Conselho Nacional de Transição (CNT) anunciou no domingo que vai reiniciar a atividade em dois importantes campos petrolíferos do leste da Líbia dentro de pouco mais de 15 dias, possibilitando a retomada da exportação pelo porto de Tobruk até o final do próximo mês. Os rebeldes afirmaram também que a maior refinaria do país, em Ras Lanuf, que até poucos dias atrás ainda estava nas mãos de forças leais a Muamar Kadafi, não foi danificada na batalha, e pode voltar a operar dentro de duas semanas. Numa outra boa notícia aos mercados dos países europeus dependentes do petróleo líbio, os insurgentes garantiram que o gasoduto que liga a Líbia à Europa — danificado na guerra — já foi reparado e está pronto para voltar à ativa.
— O gasoduto está de volta em operação. O gás voltará a fluir para a Europa — disse, em Benghazi, o porta-voz dos rebeldes Ahmed Bani, sem dar uma data precisa para que isso ocorra.
A Líbia é o terceiro maior produtor de petróleo da África. Itália, Alemanha e França são os principais importadores do produto líbio. A interrupção da produção nos meses de guerra elevou o preço do barril de petróleo para mais de US$ 100. A retomada da produção, no entanto deve ser lenta: o país produzia 1,6 milhão de barris por dia antes da guerra, e o montante diário inicial será de 60 mil a 100 mil barris, segundo o CNT.
Na refinaria de Ras Lanuf, com capacidade de até 220 mil barris por dia, o engenheiro químico Juma Abdulmajed se dizia otimista, e confirmou a informação de que a produção pode ser retomada em breve.
— A refinaria precisa apenas de manutenção, não há nenhuma máquina danificada. O único problema é que ficou parada por muito tempo — disse o engenheiro.
Já na cidade de Brega, que passou diversas vezes das mãos dos rebeldes para a de soldados de Kadafi, e vice-versa, o restabelecimento da produção promete ser muito mais longo. Mohammad Rajab, funcionário da refinaria da cidade, afirmou que quase todos os equipamentos foram destruídos por um incêndio, ou roubados.
— A empresa não tem mais nada agora, tudo foi destruído — disse.
Mil estrangeiros fogem de Trípoli por ferry
A retomada da produção do petróleo, mesmo que parcial, também é uma boa notícia para os moradores de Trípoli, que há dias sofrem com falta de luz e de água — o que muitos atribuem ao desligamento de bombas por causa dos cortes de energia. Com um calor de 40º na capital, o preço de garrafas d’água foi multiplicado por 10. Com a situação complicada, ontem cerca de mil egípcios, jordanianos e filipinos embarcaram num ferry para fugir da capital.
— A situação é preocupante, e o cotidiano é muito difícil — afirmou o documentarista egípcio Abu Obeidi Labib, que viveu na Líbia por 32 anos, indo para o Egito com a mulher, grávida, e a filha. — Vamos voltar quando a paz retornar, mas os bombardeios da Otan assustam minha filha, e minha mulher não aguenta mais os tiroteios.
Mahmud Shaman, porta-voz do CNT, tentava tranquilizar os moradores da capital, afirmando que o abastecimento de água seria retomado.
—Temos água suficiente para abastecer a cidade, mas há alguns problemas técnicos que estamos resolvendo — disse, sem dar detalhes.
Além das preocupações com as necessidades básicas de milhões de líbios, os rebeldes afirmaram que temem também pela vida de milhares de pessoas presas pelo governo de Kadafi nos últimos meses — com os relatos recentes de massacres de prisioneiros considerados “traidores do regime”. Segundo o porta-voz Ahmed Bani, cerca de 50 mil pessoas presas nos últimos meses estão desaparecidas. Os rebeldes temem que elas tenham sido levadas para esconderijos subterrâneos, e abandonadas quando as forças do regime bateram em retirada.
— O número de pessoas presas nos últimos meses foi estimado entre 57 mil e 60 mil. Entre 10 mil e 11 mil já foram libertados. Então, onde estão os outros? — perguntou.
Diante de evidências de execução de prisioneiros também por parte dos rebeldes, o CNT emitiu um comunicado exortando os combatentes a respeitarem seus presos de guerra.
Com o avanço dos rebeldes na capital, e na região de Bin Jawad (leste), o porta-voz do regime de Kadafi, Moussa Ibrahim, afirmou que o ditador estaria pronto a negociar um governo de transição com os rebeldes, por meio de seu filho Saadi, que ainda está em Trípoli. A oferta, no entanto, foi prontamente rejeitada pelo CNT.
— Não faremos nenhuma negociação com Kadafi — disse Ali Tarhouni, funcionário do CNT responsável pelo petróleo. — Se ele quiser se render, então negociaremos e vamos capturá-lo.

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