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domingo, 18 de novembro de 2012

'Está tudo muito bem', diz Maluf após condenação


Um dia depois de ter duas de suas empresas condenadas a devolver ao menos R$45,8 milhões aos cofres públicos de São Paulo, o deputado federal Paulo Maluf (PP) atendeu a Folha por telefone dizendo estar "muito bem".
"Estou aqui na minha casa em Campos do Jordão, com mais de 20 convidados, minha família, tranquilo. Vou comer no Pastel do Maluf, no Baden-Baden [restaurante alemão na cidade]."
Maluf reafirmou o teor da nota oficial divulgada por sua assessoria ontem. Disse não se considerar réu no processo em que a Corte Real de Jersey, paraíso fiscal das ilhas britânicas, condenou empresas dele e de seus familiares a repatriar dinheiro, segundo a acusação, desviado de obra contratada quando prefeito de São Paulo (1992-1996).
Afirmou ainda não reconhecer a Corte internacional como instância adequada para seu julgamento. "Se algum brasileiro, qualquer um tivesse cometido algum ilícito em território nacional, esse brasileiro teria que ser julgado pela justiça brasileira ou pela justiça estrangeira?".

O ex-prefeito Paulo Maluf (PP), atual deputado federal, condenado na Corte Real de Jersey
O ex-prefeito Paulo Maluf (PP), atual deputado federal, condenado na Corte Real de Jersey
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Deputado, o sr...
Só um minuto, por favor. [Retorna após alguns instantes]. Desculpe, era uma solidariedade de alguém ligando de Brasília, no telefone fixo.


Tem recebido muitas ligações de solidariedade?
O meu telefone celular é público, não faço segredo dele. 500 deputados têm, 80 senadores... Bom, só quero reiterar o que está na nota do meu assessor. Meu nome está sendo usado indevidamente. Eu não sou réu na ilha de Jersey.


Mas suas empresas são alvo da decisão...
Dá licença. Primeiro, não sou réu. Segundo, a sentença diz também que eu não tenho conta [no exterior]. Terceiro, se algum brasileiro, qualquer um, tivesse cometido algum ilícito em território nacional, esse brasileiro teria que ser julgado pela justiça brasileira ou pela justiça estrangeira? A jurisdição autodeterminada é a brasileira.

Quarto -também está na nota-: quem construiu a obra não foi a prefeitura. Foi a Emurb. A prefeitura é parte ilegítima. Então, está cheio de ilegalidades, que a mim me parece uma partidarização.

Como assim partidarização?
Não quero entrar no mérito dessa questão. Agora veja, o Cláudio Lembo foi meu secretário do Planejamento, nada contra ele. Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: será que isso é revanche porque eu não apoiei o [José] Serra [na eleição para prefeito de SP]?


O sr. se refere à entrevista que ele deu à Folha (secretário de Negócios Jurídicos de Kassab, Lembo ironizou o fato de que o PT, que recebeu apoio de Maluf na eleição, terá de cobrar os recursos dele)?
A fala do Lembro mostra o seguinte: que existe aí, muito provavelmente, uma atitude preconceituosa porque ele que foi vice governador do [Geraldo] Alckmin e apoiou o Serra. Deve ter mágoa porque eu apoiei o Haddad. Eu apoiei sim Fernando Haddad, num casamento que foi feito na minha casa, com a presença de Lula e na frente de toda a mídia.

Todas as minhas contas, de todas as obras que eu fiz nessa cidade, foram aprovadas pelo TCM e pela Câmara Municipal de São Paulo. Portanto tenho a minha consciência tranquila e a minha consciência jurídica também.

O sr. vai recorrer da decisão em Jersey e no Brasil?
Isso pode perguntar aos meus advogados. Não sou réu e nem tenho conta lá fora.


A sentença relata reunião do sr. com advogados de Genebra para discutir como responderia a questões de um banco que identificou movimentações financeiras atípicas.
Quando foi essa reunião?


A sentença diz no ano 2000...
Há 12 anos. Nem lembro se tive essa reunião. Se tive, qual é o crime?


Seria prova de que o sr. movimentava contas das empresas no exterior.
Desculpa, qual é o crime? Dá licença, eu estou te fazendo uma pergunta. Se eu fiz essa reunião, e eu faço reunião com várias pessoas, ou eu vou num restaurante com alguém.. qual é o problema?
Eles falam em movimentações em janeiro e fevereiro de 1998, eu não era prefeito.


Mas seria referente a uma obra iniciada no seu governo cujo dinheiro desviado foi enviado depois...
Essa obra foi iniciada no meu governo, assim como meu governo construiu 60 pontes e viadutos. Eu construi oito túneis e nenhum deles tem um pingo d'água vazando. Eu ajudei a construir metrô, construi escolas, creches. Eu construi muita coisa e isso tudo foi aprovado pelo Tribunal de Contas.


A ação não questiona sua capacidade administrativa, mas a sua probidade.
Então estamos de acordo que sou competente.


O sr. conversou com petistas sobre a condenação?
Eu não tenho condenação. Não coloque palavras na minha boca. Você está querendo dar um nó em mim quando, na verdade, eu telefonei de maneira muito elegante. Não tenho queixa nenhuma. Estou muito bem, estou aqui na minha casa em Campos do Jordão, com mais de 20 convidados, minha família, tranquilo. Vou comer no pastel do Maluf, no Baden Baden, to aqui gozando quatro dias de férias e na segunda-feira vão me ver lá em Brasília.

Sou muito bem casado, com a melhor mulher do mundo, vai tudo muito bem na vida.
E ponha na matéria aí que você foi deselegante quando perguntou se eu ia atender o telefone de novo. [No primeiro contato da reportagem, Maluf disse que falaria após 30 minutos]. Telefonei para mostrar que não tenho receio de nada.

O sr. conversou sobre o processo com Fernando Haddad?
Mas nunca. Nem me encontrei com ele depois da eleição.


E antes, quando foi firmar a aliança?
Não sou réu e não encontrei com ele depois da eleição. Eu tive lá de maneira pública, naquele hotel onde foi comemorado [logo após o resultado do segundo turno], cumprimentei ele pela eleição e estou feliz da vida porque São Paulo vai ter um grande prefeito. Ele vai ficar inscrito na galeria de grandes prefeitos de São Paulo, como foi Paulo Maluf, como foi Faria Lima.


Na sentença, a Corte o critica algumas vezes por nunca ter comparecido às sessões em Jersey.
É verdade. Não fui lá porque não sou réu. O que ia fazer lá? Eu também não fui no STF no julgamento do mensalão, porque não sou réu. Quando eu for réu um dia, eu apareço, presto meu testemunho. Eu respeito muito a Justiça. Sempre que me convocam, CPI, eu estou lá presente.


O sr. está com 81 anos...
Meu amor, eu não sou réu.


Imagino que deve haver um desgaste, nem que seja emocional, não?
Em absoluto. Eu me sinto feliz da vida, estou muito feliz, Deus me proporcionou um bem estar acima da vida dos brasileiros. As nossas empresas vão muito bem, graças a Deus. Tenho dois filhos maravilhosos, uma mulher que vale ouro. Só quero reiterar o que está na nota.

Meus túneis não inundaram. Meus piscinões funcionaram. Minhas estações no metrô não ruíram e minhas ruas não esburacaram.

O PP negocia cargos na administração de Haddad. Como estão as conversas?
Olha, nós não pleiteamos. Quando dei a primeira entrevista na minha casa ao lado do Haddad e do Lula, eu disse que achava que o Haddad seria o melhor prefeito para São Paulo, porque o Serra, em 2010, concorreu à Presidência contra a Dilma e perdeu.

Então, se ele tivesse ganhado seria ruim pra São Paulo. Eu duvido que mesmo com todo o espírito público da presidenta ela iria olhar para São Paulo com o Serra como ela olha com o Fernando Haddad, que foi seu ministro.
Estou mais do que gratificado e mais do que satisfeito. Agora, o partido tem gente muito boa. Se ele quiser escolher alguém, ótimo. Eu não vou indicar.

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