GACC - Grupo de Assistência à Criança com Câncer

GACC - Grupo de Assistência à Criança com Câncer
Desde o início de suas atividades, em 1996, o GACC - então Grupo de Apoio à Criança com Câncer - existe para aumentar a expectativa de vida e garantir a oferta e a qualidade global do tratamento oferecido integral e indistintamente a crianças e jovens com câncer, diagnosticados com idades entre 0 e 19 anos incompletos, independente de sexo, cor, religião ou posição socioeconômica.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Paulo José fala sobre o mal de Parkinson: 'As pessoas mudaram comigo'

Paulo José fala sobre o mal de Parkinson: 'As pessoas mudaram comigo' - 1 (© Divulgação, TV Globo)


O ator Paulo José descobriu em 1993, há exatos 20 anos, que sofria do mal de Parkinson, doença degenerativa e incurável que se caracteriza por movimentos involuntários dos braços, pernas e cabeça, além de tremores. "O mal de Parkinson não aparece visualmente nos exames. É um diagnóstico por eliminação. Recebi uma receita para tomar dois medicamentos. Perguntei: 'Até quando?'. O médico fez uma pausa e disse: 'Para toda a vida!'", contou em entrevista à revista "Época".
Para o ator, a descoberta da doença foi a parte mais fácil, se comparado com os sintomas. "Sabia que ninguém morre de Parkinson, se morre com Parkinson. E ainda não tinha noção da gravidade. Com o tempo, os sintomas tornaram-se mais fortes".
E contou que ao tomarem conhecimento de sua nova condição, todos a sua volta mudaram o seu comportamento: "As pessoas mudaram comigo. Queriam me proteger. Ficaram com pena. Isso nunca me incomodou. Sou um sobrevivente. Tenho muita sorte por ter gente que gosta de mim. Tenho de ser grato por isso. E sou".
Casado com a figurinista e cineasta Kika Lopes, Paulo contou que o apoio da família e do amigo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, foram fundamentais. "Boni me chamou em sua sala e disse: 'O melhor lugar para tratar seu caso é o Instituto Presbiteriano, em Nova York. É para lá que você vai. A Globo arrumará tudo'. O Boni mandou, eu obedeci".
Paulo José lembrou ainda de uma situação constrangedora que viveu por causa da doença. "Há dez anos, fui convidado para participar do programa de entrevistas Roda viva. Ficaria exposto em cadeia nacional. Fiquei nervoso. Então, fiz um coquetel de remédios. O tiro saiu pela culatra. Fiquei com os movimentos mais acentuados. Perdi o controle da mão direita. O cartunista Chico Caruso desenhava o entrevistado. Ele me fez com seis mãos, parecia um polvo com cabeça de homem, de tanto que mexia os braços. Consegui dar a entrevista. Mas fiquei muito chateado".
O ator, que já foi operado até pelo renomado cirurgião Paulo Niemeyer Filho, descreve sua vida como uma montanha russa de sentimentos. "Tive depressão muitas vezes. Houve um tempo em que tinha medo de dormir e não acordar. Às vezes, tenho medo de morrer. Não estou num daqueles momentos terríveis. Mas tampouco este é um período fácil. Quando acordo, tenho de fazer uma escolha. Decido sair da cama. Hoje será um dia melhor. Ao me deitar, não penso se o dia foi mesmo melhor. Só penso: 'Amanhã será um outro dia'. Assim, sigo trabalhando e vivendo dia por dia".
Mas engana-se quem pensa que a descoberta do mal de Parkinson tirou Paulo José de cena. "Nunca parei de trabalhar. Nos últimos 20 anos, dirigi dez peças, participei de 19 filmes e 18 programas de TV, entre séries e novelas. Dirigi mais de 200 comerciais. Em todos esses trabalhos, o Parkinson estava lá. Ele tem sido meu companheiro de palco, de estúdio, de vida". E encerra contabilizando mais atividades: "No ano que vem, estarei na próxima novela de Manoel Carlos. Vai me ocupar de fevereiro a setembro. Ainda neste ano tenho alguns projetos para finalizar".

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