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quarta-feira, 11 de julho de 2012

FHC afirma que partidos se tornaram 'apenas siglas'


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se disse "preocupado" com o que vê como uma dissolução das visões partidárias no Brasil e no mundo, resumindo as agremiações a meras siglas, em meio à disputa para a formação de alianças nas eleições municipais deste ano.
Para FHC, falta debate no país e firmeza nas posições políticas dos partidos.
"Agora cada um vai buscar maximizar suas chances eleitorais, sem se preocupar muito com o que vai acontecer depois, e muito menos se há choques entre as visões dos partidos, mesmo porque essas visões estão se diluindo de uma maneira preocupante", disse o ex-presidente.
"Os partidos estão crescentemente sendo só siglas. Qual é o conteúdo por trás? Qual sua posição programática? Qual a divisão real? Em certos momentos, vai ter, mas muitas vezes o partido não as expressa mais."
FHC conversou ontem com correspondentes brasileiros em Washington, horas antes de receber o Prêmio Kluge -- reconhecimento à sua produção acadêmica pelo qual recebeu US$ 1 milhão da Biblioteca do Congresso dos EUA.
Alex Brandon - 10.jul.12/Associated Press
FHC recebe o Prêmio Kluge, da Biblioteca do Congresso dos EUA, em reconhecimento à sua produção acadêmica
FHC recebe o Prêmio Kluge, da Biblioteca do Congresso dos EUA, em reconhecimento à sua produção acadêmica
Na delegação de tucanos que o acompanhou para a homenagem na noite passada, estravam o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e o ex-senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE).
Indagado sobre o interesse de seu PSDB em uma aproximação com o PSB no nível nacional, após atritos entre esse último e o PT, afirmou que a atual costura de alianças não baliza passos futuros.
"Depende das circunstâncias", afirmou. "A política brasileira, nessa hora de eleição municipal, é muito local; a vocação nacional dos nossos partidos desaparece."
O presidente negou, porém, que o que vê como "dissolução da visão partidária" prejudique o ato de fazer oposição no Brasil, afirmando que "oposição não se faz a partir de uma sigla, mas de uma posição política".
O que falta, afirmou, é debate político. "O exemplo que eu dou é o petróleo. Que se discutiu da lei do petróleo? A distribuição de royalties que ainda não existem. O modelo foi discutido? Não."
ECONOMIA
Fernando Henrique criticou ainda a atual política industrial, por erguer barreiras vistas como protecionistas sem investir na produtividade, e refutou a ideia defendida pelo governo Dilma de que o país é vítima de uma "guerra cambial" alimentada pelas economias avançadas.
"Não resolve. Em vez de incentivar o aumento da produtividade, você protege a baixa produtividade."
O tucano ainda aproveitou para alfinetar seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, por paralisar as reformas para aumentar a produtividade, dizendo que ele "soube velejar" nos bons ventos mas "não aperfeiçoou os motores".
Segundo FHC, as reformas -- inclusive no sistema tributário -- precisarão ser feitas: "Já está se vendo uma ilha ao longe, precisamos tomar cuidado e começar a desviar".
Mas o ex-presidente, de forma geral, destacou a estabilidade do Brasil na crise mundial e o processo até ela.
"Nunca tivemos política fiscal que levasse à asfixia da economia. Levamos muito tempo consolidando a estabilização, mas não tivemos crise social, crise política", afirmou, criticando a abrupta austeridade na Europa e, sobretudo, na Alemanha.

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