GACC - Grupo de Assistência à Criança com Câncer

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Desde o início de suas atividades, em 1996, o GACC - então Grupo de Apoio à Criança com Câncer - existe para aumentar a expectativa de vida e garantir a oferta e a qualidade global do tratamento oferecido integral e indistintamente a crianças e jovens com câncer, diagnosticados com idades entre 0 e 19 anos incompletos, independente de sexo, cor, religião ou posição socioeconômica.

domingo, 28 de agosto de 2011

Casas de boneca: hobby a se manter controlado


Casas de boneca: hobby a se manter controlado

Para meu aniversário de 7 anos, meus pais me deram de presente uma casa de boneca simples e inacabada. Tinha seis quartos vazios, dois andares, uma escada e uma porta que dava para um pequeno alpendre frontal. As janelas abriam e o telhado retraía para um dos lados, revelando um sótão.
Era 1988. Meu quarto estava repleto de bonecas Barbie, Meu Querido Pônei e roupas da She-Ra. Porém, imediatamente passei a amar a casa de boneca mais do que a todos os meus brinquedos de plástico rosa combinados.
Numa tarde de verão, meu pai e eu pintamos a casinha juntos no quintal: rosa bebê com detalhes brancos. Aplicamos papel de parede em cada um dos quartos e logo os espaços vazios começaram a ganhar vida A casa tinha uma cozinha, um hall de entrada, uma sala de estar, um banheiro/lavanderia e três quartos de dormir (o maior; o quarto do bebê no sótão e o quarto dos irmãos mais velhos que ressentiam o bebê por fazê-los dividir o espaço).
Perto da minha casa em Milton, Massachusetts, existia uma loja especializada em miniaturas para casas de boneca. Todas as vezes que eu entrava no lugar, era transportada da calçada barulhenta da cidade, de frente para uma parada de ônibus, para um mundo da mais perfeita ordem. Eu gastava minha mesada com revistas em miniatura para a mesa de café, pequenos rolos de papel higiênico numa cesta para o banheiro e uma torta assada numa tampa de cerveja, que estaria sempre esfriando no topo do forno.
A maioria dos outros clientes da loja eram mulheres mais velhas, o que dava ao meu hábito algum elevado sentido de importância. Eu sabia que a minha casa de boneca era um brinquedo, mas de certo modo ela parecia ser um portal para a vida adulta. Eu não costumava brincar com ela da mesma maneira que eu o fazia com a minha casa dos sonhos da Barbie. Em vez disso, mobiliava minha casa de boneca. Eu a mantinha totalmente organizada e a decorava para cada estação. Eu tinha lanternas feitas com morangas para o outono e uma árvore de Natal com pisca-pisca de verdade para o inverno.
Durante os fins de semana, fui com a minha mãe para algumas feiras de casa de boneca e comprei caixas de Tide e Cheerios do tamanho de selos postais.
Enquanto as minhas amigas estavam jogando queimada na rua, eu estava na sala de conferência de um hotel em Boston, discutindo o preço de uma miniatura de chapeleira vitoriana.
Em algum momento eu superei a casa de bonecas e, como todo o resto dos meus brinquedos, ela se tornou domínio da minha irmã, Caroline. Nove anos mais nova que eu, ela não se interessava pelas brincadeiras superfemininas que eu adorava. Ela cortou os cabelos das minhas bonecas American Girls e quebrou em pedaços meu conjunto de chá.

J. Courtney Sullivan's childhood dollhouse, in Milton, Mass., Aug. 11, 2011. For her seventh birthday, Sullivan received a dollhouse which became a childhood hobby, and as an adult, she again found herself drawn to the little house she'd loved as a child. (Erik Jacobs/The New York Times)

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