GACC - Grupo de Assistência à Criança com Câncer

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Desde o início de suas atividades, em 1996, o GACC - então Grupo de Apoio à Criança com Câncer - existe para aumentar a expectativa de vida e garantir a oferta e a qualidade global do tratamento oferecido integral e indistintamente a crianças e jovens com câncer, diagnosticados com idades entre 0 e 19 anos incompletos, independente de sexo, cor, religião ou posição socioeconômica.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

O Eco do Assédio no Silêncio da Educação: O Caso Raquel e o Abismo entre o Decreto e a Realidade em Caraguatatuba


Há uma distância abissal entre a caneta que assina um decreto em um gabinete refrigerado e a realidade crua vivida pelos servidores na ponta da linha, onde o serviço público de fato acontece. Poucos dias após a Prefeitura de Caraguatatuba anunciar com pompa a criação do Programa Municipal de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Sexual e à Discriminação, a teoria foi rudemente confrontada pela prática. E o cenário desse choque não poderia ser mais simbólico e doloroso: uma unidade escolar municipal.

A denúncia trazida a público pela servidora Raquel não é apenas o relato de um desentendimento administrativo. É um sintoma grave de como a engrenagem do poder local reage quando é questionada sobre suas próprias falhas.

Ao apontar que a máquina de lavar da escola está quebrada há tempos — comprometendo a higiene básica da roupa de cama das crianças — e que um muro com risco de desabamento ameaça a vida de alunos e funcionários, Raquel cumpriu o seu mais nobre dever como servidora e cidadã: ela fiscalizou. Ela se recusou a aceitar o conformismo do "deixa pra lá".

A resposta que recebeu, no entanto, desenha o retrato clássico do coronelismo institucionalizado.

A Pedagogia do Grito: Quando a Resposta ao Alerta é a Intimidação

Segundo o relato da servidora, a reação da Secretária Municipal de Educação ao tomar conhecimento das cobranças não foi o envio de uma equipe de manutenção ou um plano de reparo emergencial. Foi a presença física na unidade escolar, de forma alterada, destilando gritos e humilhações públicas que atingiram não apenas Raquel, mas também cozinheiras e outras funcionárias que nada tinham a ver com o episódio.

Mais grave ainda é a acusação de que a secretária teria bradado que buscaria "saber o que poderia ser feito contra ela".

No vocabulário do assédio moral no serviço público, essa frase tem tradução juramentada: é ameaça de retaliação. É o uso do peso da máquina estatal para calar a boca de quem ousa apontar que o rei está nu. É a tentativa de transformar o denunciante em réu para desviar o foco da incompetência administrativa na manutenção de uma escola.

O constrangimento imposto a essas trabalhadoras, em especial às profissionais de apoio como as cozinheiras, revela um profundo desprezo pela dignidade humana e pela hierarquia funcional, que deveria servir para organizar o trabalho, nunca para humilhar quem o executa.

O Teste de Fogo do Novo Decreto Antiasseio

O caso Raquel coloca a administração municipal diante de um espelho incômodo. Há menos de duas semanas, o governo municipal decretou que assédio moral é:

"...a insistência em práticas de humilhação, constrangimento, intimidação e degradação do ambiente de trabalho."

Se o recém-criado programa for apenas uma peça de propaganda para inglês ver, a denúncia de Raquel será abafada pelos corredores burocráticos, e a servidora será isolada, perseguida ou transferida sob o manto de "conveniência administrativa".

Por outro lado, se houver um pingo de seriedade institucional na lei recém-assinada, as medidas legais cabíveis devem ser adotadas imediatamente:

  1. Afastamento Preventivo da Secretária: Para garantir que as testemunhas (as outras servidoras e cozinheiras que presenciaram os gritos) possam depor sem medo de demissão ou perseguição, a investigada deve ser afastada de suas funções diretivas durante a apuração.

  2. Abertura de Sindicância e PAD: A Corregedoria do Município precisa instaurar um Processo Administrativo Disciplinar rigoroso, com comissão independente e análise das imagens e áudios gravados.

  3. Intervenção do Ministério Público (MPSP): Por envolver risco à integridade física de crianças (muro prestes a desabar) e potencial improbidade administrativa por desvio de finalidade e abuso de autoridade, o caso precisa ser acompanhado de perto pelos promotores de Justiça.

A Pergunta que Fica é Simples e Direta:

Você vai continuar fechando os olhos para os sussurros de assédio e humilhação nos corredores das secretarias ou vai soltar o míssil da cobrança para que as leis sejam cumpridas, doa a quem doer?

O silêncio é o oxigênio do agressor e o combustível da impunidade. Quando uma secretária de pasta grita com uma servidora porque esta cobrou lençóis limpos e segurança para as crianças, ela não está apenas agredindo Raquel — ela está agredindo cada pai, mãe e cidadão que paga seus impostos em Caraguatatuba.

Não aceitaremos que a estrutura pública seja utilizada como capitania hereditária. Fiscalizar os bastidores do funcionalismo é nossa obrigação. Os tempos de impunidade administrativa estão com os dias contados.

Leia, reflita, questione. Deixe sua opinião aqui nos comentários, compartilhe este artigo e marque quem precisa saber que o serviço público pertence ao povo, e não aos caprichos de quem ocupa temporariamente uma cadeira de secretário.

Por: Guilherme Araújo | Jornalista Investigativo (MTB 79157/SP | Membro da ABI/RJ nº E-002885)


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