Afinal, por que a manutenção de um direito básico de isenção tributária precisa ser tratada como um "troféu político"? E o que essa comemoração nos revela sobre a real saúde financeira e administrativa do município com o maior orçamento per capita da região?
O Alívio Fiscal no Município dos Royalties
A Santa Casa de Ilhabela, que opera no único hospital do arquipélago, é a espinha dorsal do atendimento de urgência e emergência da cidade. Para manter o CEBAS, a lei exige que a instituição preste pelo menos 60% de seus serviços ao SUS.
Isso nos leva ao primeiro ponto de reflexão crítica:
Justiça ou Dependência? O CEBAS concede isenção tributária da cota patronal e de impostos federais. Trata-se de uma blindagem financeira fundamental para que o hospital não colapse. Mas é preciso questionar: em uma cidade bilionária, fortemente abastecida pelos royalties do petróleo, a saúde da população deveria depender do fio da navalha de uma burocracia federal renovada a cada triênio?
Transparência e Contrapartida: Se a Santa Casa é imunizada de impostos federais para manter as portas abertas, a contrapartida social entregue à população de Ilhabela está, de fato, à altura desse benefício? O atendimento é humanizado, ágil e eficiente em sua totalidade, ou as filas e a falta de especialistas continuam a castigar quem vive nas comunidades mais isoladas da ilha?
A celebração da renovação do CEBAS é a prova de que a gestão hospitalar caminha no limite das regras fiscais. Mas a estabilidade burocrática temporária não pode mascarar a necessidade de uma fiscalização social implacável sobre como os recursos públicos de saúde são geridos no município.
Chega de "Deixa Pra Lá": O Papel do Cidadão
Quando um governante destaca a manutenção de uma isenção tributária como um feito extraordinário, nós, cidadãos, devemos ajustar as lentes do nosso senso crítico. A estabilidade de uma Santa Casa não deveria ser uma meta a ser comemorada; deveria ser o padrão mínimo aceitável de qualquer governante sério.
A engrenagem pública só funciona com eficiência real quando a sociedade civil sai da arquibancada e entra em campo para auditar, cobrar e participar.
A saúde pública é o termômetro mais sensível da dignidade humana. Celebrar a papelada em dia no Diário Oficial da União é importante, mas o que realmente importa é o paciente que espera na recepção do hospital.
A Pergunta que Fica é Simples e Direta:
Você vai continuar encarando a saúde pública como um favor político do gestor da vez, ou vai soltar o míssil da cobrança e da fiscalização ativa sobre a qualidade real do atendimento na Santa Casa?
Fiscalizar não é uma opção para tempos de lazer. É o seu maior dever enquanto cidadão.
Leia, reflita, questione. Deixe sua opinião aqui nos comentários, compartilhe este artigo e marque quem precisa saber o que realmente acontece nos bastidores da nossa região.
Por Guilherme Araújo | Jornalista Investigativo (MTB 79157/SP | Membro da ABI/RJ)
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