GACC - Grupo de Assistência à Criança com Câncer

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Desde o início de suas atividades, em 1996, o GACC - então Grupo de Apoio à Criança com Câncer - existe para aumentar a expectativa de vida e garantir a oferta e a qualidade global do tratamento oferecido integral e indistintamente a crianças e jovens com câncer, diagnosticados com idades entre 0 e 19 anos incompletos, independente de sexo, cor, religião ou posição socioeconômica.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

O Silêncio que Alimenta o Sistema: O Recorde de Barrados no CDP de Caraguatatuba e a Urgência da Fiscalização Popular

No último final de semana, o Centro de Detenção Provisória (CDP) "Dr. José Eduardo Mariz de Oliveira", em Caraguatatuba, voltou a ser palco de um cenário alarmante, mas que infelizmente tem se tornado rotina: oito visitantes de detentos foram barradas ao tentarem entrar na unidade prisional. O motivo? Irregularidades apontadas pelo escâner corporal (bodyscan) durante os procedimentos de segurança.

 Por Guilherme Araújo | Opinião & Investigação

A resposta da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) foi imediata: as mulheres tiveram o acesso negado e a direção da unidade instaurou um expediente administrativo interno para suspendê-las definitivamente do rol de visitas. Em alguns casos, diante da suspeita de porte de ilícitos, houve recusa de encaminhamento ao pronto-socorro para exames clínicos complementares — um direito de defesa, mas também um forte indício que acende o alerta vermelho da segurança pública.


Este não é um fato isolado. Semanas antes, registros semelhantes apontaram recordes sucessivos na mesma unidade e em presídios vizinhos do Vale do Paraíba, como Tremembé e Potim.

A recorrência desses episódios nos obriga a ir além da mera leitura da notícia oficial. É preciso puxar o fio dessa meada e propor uma reflexão profunda sobre o que está acontecendo por trás das muralhas do nosso sistema prisional.

A Engrenagem Oculta e o Papel das Famílias

Quando analisamos essas ocorrências friamente, a primeira reação da sociedade costuma ser o julgamento sumário. No entanto, o jornalismo investigativo exige que façamos perguntas incômodas:

  1. Quem está ganhando com isso? O tráfico e o crime organizado dentro dos presídios dependem do fluxo constante de dinheiro, drogas e aparelhos de comunicação. Para manter essa engrenagem girando, utilizam a vulnerabilidade emocional, a coação ou a conivência de mães, esposas e irmãs.

  2. A punição administrativa é suficiente? Suspender o direito de visita protege temporariamente a segurança interna, mas devolve essa pessoa à sociedade sem resolver a raiz do problema. Onde está o acompanhamento social e a investigação sobre as redes que aliciam essas famílias do lado de fora?

  3. Até quando o "deixa pra lá" será a regra? A segurança pública não começa nem termina dentro das muralhas de um CDP. Ela passa pelo nosso filtro diário de indignação e cobrança.

Fiscalizar Não é Opção, é Dever

A segurança do Litoral Norte e do Vale do Paraíba está diretamente conectada ao controle do sistema penitenciário. Cada celular ou pacote de entorpecentes interceptado na entrada de um presídio representa um crime a menos sendo planejado e ordenado nas nossas ruas, contra as nossas famílias.

Mas a fiscalização não deve ficar restrita apenas aos policiais penais que operam os escâneres de segurança. O verdadeiro poder fiscalizador emana do cidadão.

Quando a sociedade assiste passivamente ao avanço desses números — encarando-os apenas como "estatísticas de final de semana" —, ela se torna cúmplice do silêncio que fortalece o crime. O papel do cidadão consciente é acompanhar de perto a atuação dos gestores de políticas públicas, questionar a estrutura do sistema penitenciário e exigir rigor, inteligência e transparência das autoridades.

E agora, qual é a sua postura?

A pergunta que fica é simples, direta e bate à sua porta hoje: Você vai continuar calado, assistindo a esses recordes de criminalidade passivamente, ou vai soltar o míssil da cobrança e da participação popular?

Não há mais espaço para a omissão. O futuro da nossa segurança pública depende da nossa coragem de olhar de frente para os problemas que preferimos ignorar.

Deixe sua reflexão e sua opinião aqui nos comentários. Compartilhe este texto e marque quem precisa acordar para essa realidade. Fiscalizar é o nosso maior dever.

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