A engrenagem democrática depende de um combustível essencial: a informação livre e segura. No entanto, o avanço dos ciclos eleitorais no Brasil tem se tornado um terreno hostil para quem tem a missão de informar. Diante desse cenário alarmante, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), realizou a primeira reunião do Grupo de Trabalho (GT) Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais.
A iniciativa marca o início de uma força-tarefa crucial para as eleições gerais de 2026. O objetivo é analisar casos, identificar padrões de violência e formular recomendações urgentes para proteger os profissionais da imprensa e blindar a liberdade de expressão no país.
O silenciamento da
imprensa como ameaça ao voto
Criado originalmente
em 2023 para apoiar investigações e sugerir políticas públicas, o Observatório
agora direciona o foco para o período eleitoral — momento em que a hostilidade
costuma atingir o ápice. Dados de entidades especializadas apontam que os
jornalistas enfrentam uma guerra multifacetada: campanhas de desinformação,
assédio digital coordenado, agressões físicas e verbais, além do assédio
judicial, que utiliza a estrutura do próprio Judiciário para constranger o
exercício da profissão.
Para a secretária
nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, o momento exige tolerância zero contra a
intimidação.
"Proteger
jornalistas e comunicadores é proteger a democracia. Toda tentativa de
intimidar quem informa é também uma tentativa de limitar o direito da sociedade
de saber, debater e escolher livremente", afirma a secretária.
O enfrentamento será
conjunto. O GT reúne o Governo Federal, a sociedade civil e instituições de peso
como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
a Defensoria Pública da União (DPU), o Ministério Público Federal (MPF) e a
Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Como denunciar: A
tecnologia a serviço da proteção
Para que o
monitoramento seja eficaz, a subnotificação precisa ser combatida. Qualquer
jornalista ou comunicador social que sofrer violência ou tentativa de
intimidação no exercício da profissão pode (e deve) registrar a denúncia
formalmente pela plataforma Fala.Br, o canal oficial do Governo Federal.
O diagnóstico gerado
por essas denúncias será a base para as ações de prevenção e resposta do GT.
Veja o passo a passo para registrar uma ocorrência:
1.Acesse
o sistema:
No
navegador, digite https://falabr.cgu.gov.br. Na tela
inicial, selecione a opção "Cidadãos" para iniciar o registro
da denúncia ou reclamação.
2.Faça
o relato e anexe provas:
Escreva
o relato de forma clara e objetiva. Você pode anexar arquivos de texto,
imagens, planilhas ou multimídia (áudio e vídeo) até o limite de 30 MB.
Clique em "Avançar".
3.Selecione
o órgão e o assunto:
Escolha
o tipo de manifestação adequado. Selecione a Esfera Federal. No campo do
órgão, digite e selecione "MJSP – Ministério da Justiça e Segurança
Pública". Escolha o assunto "Denúncia de crime" e
clique em "Avançar".
4.Informe
o local e os envolvidos:
Indique
o estado e o município onde o fato ocorreu para ajudar na produção de
estatísticas. Na tela seguinte, se souber, informe dados dos agressores (nome,
CPF ou função). Clique em "Avançar".
5.Revise
e guarde o protocolo:
Revise
todas as informações, anexe provas complementares (como capturas de tela) e
clique em "Finalizar". O sistema gerará um número de
protocolo. Guarde-o para acompanhar o andamento e receber atualizações.
A criação deste
Grupo de Trabalho deixa um alerta claro: a violência contra a imprensa não pode
ser normalizada como "efeito colateral" da polarização política.
Quando um jornalista é calado, é o cidadão que perde o direito de enxergar a
realidade.
Aperte o play e vamos fiscalizar acompanhe nossas
matérias jornalísticas. Leia tudo, reflita, questione e deixe sua opinião nos comentários,
compartilhe e marque quem precisa saber. Chega de “deixa pra lá”. Fiscalizar
não é opção, é dever.
A pergunta que fica é
simples e direta: você vai continuar calado ou vai soltar o míssil da
cobrança e da participação popular?
Guilherme AAraújo - Jornalista Investigativo MTB 79157 | Escritor | Ativista Político | Gestor em Políticas Públicas | Palestrante | Negociador e Mediador de Conflitos | Membro da ABI/RJ nº E-002885
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