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domingo, 13 de maio de 2012

Em minha opinião, assessor que só diz amem, não é uma qualidade.de bom assessor.


A sentença, do padre jesuíta espanhol Baltasar Gracián, refere-se a uma tradicional regra da prudência na política
 A máxima literária integra o que se chamava, entre os séculos 16 e 18, de "a educação do príncipe". As obras formavam um corpo de conhecimentos voltado para o aconselhamento e a advertência aos governantes, escrito por sábios de grande cultura histórica e especial sensibilidade para o lado prático e real da política. Os jesuítas e demais religiosos, de uma forma geral, talvez tenham sido os principais responsáveis pelos ensinamentos, embora não de forma exclusiva. O aconselhamento contido na citação alerta para o fato de que, não sendo possível governar sozinho, o líder deve cercar-se de auxiliares qualificados. Na época, a advertência fazia sentido, na medida em que havia o risco de o monarca pretender exercer seu poder absoluto de forma individual e arbitrária.
Gracián: os jesuítas talvez tenham sido os principais responsáveis pelos conhecimentos transmitidos na "educação do príncipe

Ao comentarmos, em artigo recente, uma frase de Lord Acton, vimos que a tradição do pensamento político ocidental sempre execrou a tirania e o despotismo. Qual a lição que podemos extrair desta expressão para o nosso tempo? Em primeiro lugar, devemos entender o conceito de inteligência de maneira mais ampla. Os atributos pessoais que correspondem, hoje em dia, ao termo inteligência contrastam com os da época de Gracián. Não se restringem, também, à mera qualificação técnica. Atualmente, é indiscutível que as diferentes áreas do conhecimento empregadas em uma campanha eleitoral - ou no governo - são cativas de indivíduos que possuem muito mais informação e experiência do que aquele que os escolhe para assessorá-lo.

Tal circunstância indica que o governante e, com mais razões, o governante, deverá aplicar toda sensibilidade na escolha de seus auxiliares. Em torno de cada governante - como um projeto de poder - e de cada governante - como a realidade do poder -, orbitam pessoas de variada conformação moral, intelectual, política e profissional. Na seleção dos colaboradores, na atribuição de funções e, acima de tudo, na delegação de autoridade, o líder precisa tomar aquela que talvez seja a mais importante das suas decisões. Por mais que tenha cuidado em escolhê-los, essa é uma atitude que sempre transita pelo terreno da incerteza e do risco.
 Há uma tendência muito forte no político, como em qualquer pessoa, de preferir, confiar mais e atribuir maior importância àquelas pessoas que dizem o que ele gostaria de ouvir. Afinal, tanto a campanha como o exercício do poder são tão desgastantes do ponto de vista emocional, que o político vive na expectativa de receber boas notícias. Na contramão dessa propensão trafegam aqueles auxiliares que costumam anunciar o pior. Não há como evitá-los - nem se deve - porque qualquer campanha (salvo aquelas situações excepcionais nas quais a vitória é fácil e certa) tem falhas e sempre está aquém dos objetivos buscados. Se o governante não exercitar seu senso crítico em relação aos primeiros - e não assegurar a legitimidade das críticas aos segundos - o seu governo vai se dividir (como ordinariamente ocorre) entre "otimistas" e "pessimistas", deslocando o foco da discussão de questões concretas para o âmbito pessoal. Qualquer matéria submetida ao debate passa então a ser encarada por tal ótica - tornando a guerra pelo "ouvido do governante" quase tão importante quanto o próprio mandato.
 O governante não deve aceitar a implícita imposição de ter que decidir entre uns e outros. Ele deve exigir de todos que substanciem seus argumentos com fatos - e não apenas com opiniões. Deve acautelar-se, por igual, com os que sempre dizem aquilo que lhe agrada e os que sempre dizem o que não lhe é favorável. A realidade política não se sujeita a esquemas tão simplistas assim. Os critérios básicos para a seleção devem ser os mesmos para todos: lealdade, honestidade, inteligência e argumentação baseada em dados objetivos. Atendidos estes atributos, o parecer deve ser levado a sério, não importando se quem o profere é chamado pelos outros de otimista ou pessimista.
 É sob tal viés que o conselho de Gracián deve ser entendido. Não se trata, propriamente, de pessoas mais inteligentes que o governante, e sim de pessoas que, mesmo diante dele e de sua ânsia por boas notícias, conseguem manter intactas a independência e a objetividade. São esses os auxiliares que o governante precisa ter a sua volta.
 Atenção: você provavelmente está mal assessorado se os seus auxiliares só lhe trazem notícias boas - aquelas que não são confirmadas pelos resultados das que as pesquisas.

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