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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Entrevista da Semana Otoniel Lima Deputado Federal (PRB-SP)


 
Um soldado a serviço do partido

Até pela compleição física, o deputado federal Otoniel Lima (PRB-SP) é um homem de aspecto sólido. O passado de policial só fez reforçar essas características e o tornou obstinado pelo tema “segurança”.  Mesmo tendo um passado de vereador e deputado estadual, ele não perde a humildade de se ver aprendendo agora na Câmara Federal. A julgar pelo reconhecimento dos correligionários, o aprendizado deu certo e ele assume a função de vice-líder da bancada na Câmara no próximo mês. Sempre disposto a conversar e ponderar, só se torna irredutível na defesa dos interesses dos policiais e bombeiros militares do Brasil. Sem papas na língua, critica o pouco caso com que o Congresso trata a Segurança Pública e adverte: “Estamos manipulando uma bomba prestes a explodir.”   


1) Qual a sua avaliação sobre o ano de 2011 para o PRB?


Otoniel Lima -
Um ano positivo. Tivemos perdas como a do nosso vice-presidente José Alencar, mas conseguimos dar continuidade aos objetivos que ele mesmo defendia e que estão cada vez mais consolidados. Embora para nós do partido não seja, muitos chamam o PRB de um partido pequeno. Eu prefiro dizer “em crescimento”, pois já tem uma importância fundamental para o seu eleitor e para o governo. Observe, por exemplo, que o partido foi o que mais votou a favor das pretensões governistas. Mais até do que o partido da presidenta. Veja ainda que somos uma sigla que teve praticamente 100% de participação no plenário, o que mostra o respeito que nossa bancada tem por quem nos colocou aqui, ou seja, o cidadão, que quer se ver representado. Então, até pelo tempo que tem, afinal somos um partido novo, o PRB teve um ano bom.

2) O PRB está forte para as eleições de 2012?


Otoniel Lima -
Somos uma realidade na política nacional. O presidente Marcos Pereira tem defendido a meta de dobrar o número de prefeitos e vereadores em todo o Brasil. Nosso partido está trabalhando forte para essa realidade em todo o Brasil. Estamos engajados nas eleições municipais. Eu avalio um crescimento grande e acredito que vamos superar essa meta, até por conta do trabalho que a militância unida está fazendo. O partido está tendo uma aceitação muito grande. Não temos vícios, não temos problemas eleitorais e temos marcado uma nova forma de fazer política. Acredito que 2012 vai dar um sinal da força política que consolidaremos a partir de 2014.

3) Especificamente em seu estado, como é essa realidade?


Otoniel Lima -
O PRB de São Paulo é mais do que um bom exemplo do futuro promissor de nosso partido. Nosso candidato à prefeitura da mais importante cidade sob o ponto de vista econômico do País (o ex-deputado Celso Russomano) é, segundo pesquisas realizadas pelos órgãos mais respeitados, o mais bem visto e com o maior percentual de intenções de votos. Observe que estamos falando de uma cidade que tem fortes e bons nomes oriundos de partidos como o PSDB, o PT, o DEM, historicamente consolidados, mas onde nosso candidato aparece em melhor situação em cinco pesquisas de cenário. O que mostra que o PRB é um partido de muita aceitação e de muita importância, talvez por nosso comprometimento, transparência e firmeza de atuação. Somadas a tudo isso temos a dinâmica que nossa presidente nos trouxe, a respeitabilidade e importância de vários quadros, como o do nosso senador Crivella, e a história e memória de nosso presidente de honra José Alencar. Outros sinais da importância que o PRB paulista ganha é a de que nosso novo líder de bancada é o deputado Antônio Bulhões, historicamente comprometido com o desenvolvimento paulista. Por tudo isso, posso dizer que 2012 é o ano do PRB em São Paulo.

4) Esse crescimento do PRB não pode provocar uma reação mais agressiva de outras siglas, que até então veem a legenda como um partido pequeno?


Otoniel Lima -
Isso naturalmente vai acontecer, porque o PRB é novo, mas nasceu para ser grande. Acho ótimo que tenha começado pequeno, pois criou raízes fortes, como uma árvore que dá muitos frutos porque foi plantada em terra fértil. Por isso, seu crescimento é inevitável. Não se trata mais de quando vai crescer, mas de quanto e em que velocidade. As demais siglas terão que se adaptar a uma participação cada vez mais importante do PRB na vida política nacional, imprimindo sua marca que é a da política comprometida com a cidadania.  Isso não tem volta.

5) Qual seria o destaque na sua atuação parlamentar?


Otoniel Lima -
Tenho priorizado as áreas da Segurança Pública e da Defesa do Consumidor. Entre os projetos que apresentamos e estão em tramitação destaco o substitutivo que prevê nos transportes rodoviário, ferroviário e fluvial, seja ele intermunicipal e/ou interestadual, o reembolso das passagens não utilizadas na mesma forma como acontece no transporte aéreo. Outro projeto na área do consumidor é o que evita que sejam cobradas diferenças de preço nas passagens aéreas depois de iniciada a negociação para aquisição das mesmas. Mas um dos que mais tenho dedicado atenção é o que altera o Código Penal, determinando que quem causar morte ou lesão corporal ao dirigir embriagado seja punido na forma prevista na Lei dos Crimes Hediondos, impedindo, por exemplo, a aplicação da fiança. É preciso frear a impunidade de pessoas que usam o álcool e outras drogas, inclusive as ilícitas, e acabam por tirar a vida de alguém, afligindo famílias inteiras. Só assim, acredito, vamos reduzir as estatísticas alarmantes que, revelam um número de mortes no trânsito brasileiro semelhante ao de uma guerra, com muitas vítimas inocentes.

6) Tomando por base suas experiências em todos os níveis de parlamento, como vereador, deputado estadual e agora deputado federal, há muitas diferenças?


Otoniel Lima - Quando você chega à Câmara Federal, pensa que pode mudar tudo. Parece fácil. Por ser uma casa mais dinâmica, onde se discute todas as situações, sempre achei que encontraria um amplo interesse para defender a segurança pública, por exemplo, mas o que vi foram muitas dificuldades. Existe uma deficiência muito grande nesse setor. Creio que ainda se dá pouca importância a essa questão. Os governantes do Brasil estão manipulando uma bomba que vai explodir cedo ou tarde. Não é possível a polícia continuar a receber os vencimentos que recebe hoje em todo o Brasil. Vai chegar um momento em que a Segurança Pública, até por estar acuada devido aos salários que paga, não vai ter condições de ser gerida. O que um policial recebe hoje para enfrentar uma criminalidade cada vez mais rica é uma vergonha, um absurdo. Muitos governadores são contra a PEC 300, por exemplo, por alegar não ter recursos para pagar a segurança. Mas será que eles já observaram, e não divulgaram, o total de baixas que há nas corporações? Quantos policiais pedem baixa, todos os meses, sem que haja qualquer divulgação? E os que entram no sistema, ainda nas academias, devido aos baixos salários? Hoje, para entrar na PM, em vários lugares é exigido que o policial tenha nível superior. Esse policial, ao se ver formado, vai receber vencimentos  de 1,6 mil. A Segurança Pública está falida. O Congresso não está discutindo isso de forma prioritária. O PRB encampou essa discussão, o que me deixou muito feliz, pois sou um representante da PM. Assumi a presidência da frente parlamentar em defesa da PEC 300 e tive respaldo do meu partido. Há pouco, eu estava completamente sem esperança, mas o presidente do PRB me deu força e eu continuo acreditando, mas precisamos mobilizar o Congresso. E digo mais, não será só com manifestações pontuais na porta do Congresso. A Polícia deu uma trégua, mas em alguns estados se prepara para começar de novo uma mobilização de uma forma mais impactante, quem sabe até cruzando os braços no País inteiro. Não defendo uma greve que pare 24 horas, mas acho que se os policiais pararem por uma hora em sinal de protesto, para chamar a atenção, como um tiro de advertência, vai haver um impacto na opinião pública que repercutirá no Congresso.  


7) Sua experiência é importante nesse processo?


Otoniel Lima -
Sei como é a vida de um policial. Fiz parte de uma corporação em uma tropa de elite. Dei baixa quando os salários eram mais dignos. Hoje, não se paga salário, se dá um jeitinho. Não basta gratificação, pois quem vai para a reserva perde tudo. Que futuro pode esperar? Um soldado hoje ganha R$ 1,2 mil em SP, chegando a R$ 2,5mil, R$ 2,6 mil com as gratificações. Se ele for para a reserva vai ficar só com os R$ 1,2 mil, muitas vezes com as sequelas de uma profissão de risco, como ferimentos e distúrbios psicológicos.  Quem vai arcar com isso? A família. E mais, tenho certeza de que esse seja talvez um dos únicos quadros onde toda a população é a favor do aumento, porque quer ver o policial bem pago e preparado para enfrentar o crime.

8) Até como forma de evitar a corrupção, não é?


Otoniel Lima -
Claro! Ainda que não seja a má remuneração que leva à corrupção. Observe que não é uma característica de um policial se render à corrupção. Isso pode acontecer com advogados, com políticos, com médicos, com jornalistas... Está na pessoa e não na profissão. Mas que a boa remuneração ajuda o cidadão a trabalhar com mais empenho, isso eu não tenho dúvidas. E veja que mesmo com baixos salários, o policial e o bombeiro estão nas ruas, correndo riscos. Mesmo sem saber como vai pagar as contas no final do mês.

9) Qual  sua maior alegria como deputado federal?


Otoniel Lima -
Fiquei feliz com a equipe que montei para trabalhar comigo e com a força que o PRB me deu, inclusive com a oportunidade de ser vice-líder de bancada. Chegar novo em Brasília e receber uma confiança como essa de um partido com o potencial e os quadros que o PRB tem, só pode me dar alegria e satisfação muito grandes, além de uma responsabilidade muito maior: a obrigação de honrar o nome do partido. Isso vai marcar para sempre minha trajetória política. Até porque não foi um pedido, foi uma prova de confiança dada pelo partido. Eu sempre gostei de política, do debate e vejo hoje que vale a pena fazer a política clara, limpa e comprometida com os cidadãos. O reconhecimento, cedo ou tarde vem, até pelos seus próprios colegas.

10) O que é ser 10?


Otoniel Lima -
É ser predestinado a ser fundamental. Pelé, Zico e Maradona foram 10. Sempre marcaram, sempre decidiram e sempre trouxeram alegria e souberam praticar sua profissão com maestria. Então, ser 10 é decidir e ser decisivo.

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