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quinta-feira, 27 de junho de 2019

A história por trás do bar que emitiu cupons fiscais criticando Moro

Nota fiscal do Bar do Omar
Localizado no acesso ao Morro do Pinto, no centro da cidade do Rio de Janeiro, o Bar do Omar deixa claro o seu posicionamento político para os consumidores: na varanda, um grafite com a frase “Lula Livre” feito com as cores da bandeira LGBT estampa a parede. Pelas redes sociais, o estabelecimento avisou os clientes que o cupom fiscal seria emitido com uma frase criticando o ministro da Justiça Sergio Moro – a postagem viralizou.

“Um bar pode ter opinião política, um juiz não. Moro lesa-pátria”, vem escrito no cupom fiscal aos consumidores, seguida pelas hashtags “Lula Livre”, “Bar do Omar” e “Democracia”. A crítica foi feita após o vazamento dos diálogos pelo site The Intercept Brasil do ex-juiz com o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato.

A opinião política começou a aparecer na família com a criação do Microempreendedor Individual (MEI) durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando o bar saiu da irregularidade. As políticas de inclusão do petista também fizeram com o filho do dono do local fizesse faculdade, conta Omar Júnior. Entretanto, o posicionamento só refletiu nas ações do estabelecimento a partir da prisão do Lula em 2018.Em entrevista a VEJA, o filho do fundador Omar Monteiro Júnior, de 29 anos, revela que, há 20 anos, o bar não surgiu com uma pegada política. Para a família Monteiro, foi uma tentativa de sair da pobreza que enfrentavam. Pela sua localização, o local era voltado à comunidade e, inicialmente, funcionava em situação irregular, sem CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas).
A primeira postagem nas redes sociais que repercutiu — positiva e negativamente — foi quando o bar ofereceu um desconto de 10% para os clientes que pagassem a conta com notas carimbadas com o rosto do Lula. “Virou um ícone”, considera Omar Júnior, que é o responsáveis pelas mídias do estabelecimento. Com a ação, o bar cresceu, expandiu para fora da comunidade e “pessoas de todo o Brasil” frequentam o local.
“Primeiro, a gente recebeu muita crítica, xingamentos. Foi um ódio bizarro. Conforme fomos assumindo a identidade de um bar de esquerda, muitas pessoas começaram a se sentir à vontade no local. Você nota um aumento na frequência porque, depois desse ódio todo que foi instaurado, é normal as pessoas procurarem lugares onde elas se sentem mais a vontade para ser quem são. Muita gente conhece o bar e acha que é marketing. É só conhecer a nossa história para ver que não é. É um posicionamento moral”, afirma Omar Júnior.
Mesmo apoiando um partido de oposição ao atual governo de Jair Bolsonaro, Omar Júnior diz que não quer que o bar se torne uma ferramenta de crítica ao governo e, sim, de transformação social. De acordo com o “faz-tudo” do estabelecimento, como ele se intitula, a família leva com bom humor e brincadeiras os posicionamentos e considera legitimo a eleição de Bolsonaro. “Ele foi eleito com o voto popular e a gente respeita isso.”
Atualmente, a família responsável pelo Bar do Omar é composta por quatro pessoas: o casal-fundador Omar Monteiro e Ana Helena e os filhos Mariana e Omar Júnior. O filho revela que a intenção não é aumentar muito o público porque o negócio “é estável” e tem uma frequência “muito boa”.
“O mais importante disso tudo é, de fato, a utilização do bar como forma de transformação da sociedade. Para as pessoas se conscientizarem, incentivando um debate saudável, sem ofensas, sem hostilização. O mais proveitoso não são as pessoas que vão vir para o bar e, sim, as pessoas que, diante do que a gente faz, percebem e pensam: ‘eles são um exemplo para ser seguido. Eles são de esquerda, mas são tolerantes'”, conclui Omar Júnior.

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