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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Jornalista reforça denúncias de até R$ 100 mi em propina contra Teixeira e Havelange e dispõe-se a falar a Dilma e PF

Nesta quarta-feira, em depoimento no Senado Federal, o jornalista da BBC Andrew Jennings reforçou as denúncias de recebimento de propina por parte de João Havelange, ex-presidente da Fifa e Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo de 2014 e se colocou à disposição para esclarecer o caso à presidenta Dilma Roussef e à Polícia Federal.

A presidenta, por sinal, irá receber uma cópia do depoimento de Jennings. Assim como fez durante sua participação no programa Bola da Vez da ESPN Brasil, gravado em julho deste ano, o jornalista apresentou evidências da corrupção entre altos dirigentes da Fifa. Os documentos foram publicados no ESPN.com.br.

Jennings voltou a afirmar que Havelange teria recebido US$ 50 milhões, R$ 87,5 mi, em propinas da ISL, empresa de marketing compradora dos direitos de comercialização das Copas do Mundo de 2002 e 2006. Já Ricardo Teixeira teria ganhado outros US$ 9 milhões, R$ 15,75 - outros cartolas de federações internacionais também teriam se beneficiado. "Será que eles pagaram impostos ao Brasil sobre esses valores", indagou Jennings ao senadores brasileiros.

Ricardo Teixeira teria recebido os valores por meio da Sanud, empresa de fachada de Lichenstein. Jennings chegou ao valor por meio de um cruzamento de dados da CPI do Futebol de 2001 que teria mostrado o cartola recebendo dinheiro desta empresa e de uma lista atribuída à ISL, na qual haveria repasse de propina para a mesma Sanud. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que presidiu a investigação de 2001, afirmou que a suspeita é que a empresa Sanud pode ter sido usada para lavar dinheiro de Teixeira.

Os dirigentes teriam confessado à Justiça da Suiça o envolvimento no escândalo de corrupção, também admitido pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, ao mesmo orgão. Por meio de pagamento de 2 milhões de francos suiços - R$ 4 milhões -, a confissão teria sido mantida de forma confidencial pela Justiça, decisão já contestada pela BBC e por jornais suiços, que exigem a divulgação da confissão.

Na semana passada, Joseph Blatter anunciou que vai abrir o dossiê sobre o ‘Caso ISL’ ao público, mas disse que o processo era legamente complicado. No depoimento ao Senado, Jennings contestou as declarações do presidente da Fifa.

"Ele nos insultou semana passada ao dizer que tudo era muito complexo legalmente. Ele disse que isso precisa ser analisado. Nos últimos 18 meses isso foi analisado. Não! coloque isso na internet agora! E se todos nós formos muito burros para entendermos, teremos advogados para nos orientarem."

Jennings ainda fez um apelo para que as autoridaes brasileiras tomem uma posição contra Havelange e Teixeira. "Me sinto muito hontrado que a presidenta Dilma vá ler isso. Vou ficar aqui até sexta de manhã e espero que a Polícia Federal, investigando a evasão de impostos, venha falar comigo. Também gostaria muito de ajudar o secretário de Dilma. Eu aconselharia a todos vocês que se quiserem o respeito do mundo, investiguem esses problemas. Vocês deveriam excluir essas pessoas e selecionar pessoas honestas e limpas para gerenciar o futebol e a Copa do Mundo."

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