Quem é Guilherme Araújo

Minha foto
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
Guilherme Araújo, nascido no Rio de Janeiro, cursos na área de gestão de negócios e políticas, propaganda virtual, elaboração de projetos sociais, comunicação social e work marketing, eventos e gerenciamento de crises e negociação de conflitos. Este é um espaço democrático aonde buscamos oferecer notícias de qualidade, divulgar os fatos e fotos sempre com respeito, qualidade, ética e profissionalismo.

Este é o meu candidato a deputado federal

Este é o meu candidato deputado estadual

Radio Caraguá Mix

Radio Caraguá Mix
Você nunca viu nada igual

Izabel Prates Gastronomia

Espetto Carioca - Caxias

Espaço disponível para propaganda de sua empresa

Espaço disponível para propaganda de sua empresa

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sobreviventes contam os horrores da catástofe de 1967 em Caraguatatuba

Neusa Castilho, que vivenciiou a tragédia
 










Caraguatatuba – A tragédia que assolou a região serrana do Rio de Janeiro e que deixou ao menos 832 mortos e cerca de 500 desaparecidos até a última quarta-feira, 26, vem desenterrando o passado e reavivando a memória da população de Caraguatatuba, no litoral norte de SP.
Em 18 de março de 1967, a cidade, então com cerca de 20 mil habitantes, também contabilizou mortos quando parte da Serra do Mar desabou sobre a pacata cidade.
Dezenas de deslizamentos atingiram diversos bairros após uma tromba d´água desabar sobre o município naquela madrugada, depois de um mês de constantes chuvas.
A exemplo de Petrópolis e Teresópolis, muitas vítimas morreram dormindo. Não existem números oficiais, mas calcula-se que cerca de 400 pessoas perderam suas vidas.
A “catástrofe de 67”, como ficou conhecida a tragédia, era considerada até a poucos dias a maior catástrofe natural do País, sendo superada agora pela tragédia da região serrana do Rio de Janeiro. Um trecho de cerca de 16km de serra veio abaixo. O mar de lama que se formou percorreu cerca de dois a cinco quilômetros até chegar à praia.
“Foi por Deus que estou viva hoje, pois o morro desceu com tudo a poucos metros da casinha de madeira onde eu morava com minha família”, disse emocionada a dona de casa Neusa Mariano Castilho, de 69 anos. Neusa, que tinha 25 anos à época, estava grávida de seis meses e morava na Fazenda Pau D´Alho, uma das regiões mais atingidas, pois estava localizada ao pé da serra. Hoje ainda há marcas da destruição no local. “Era possível ouvir os estrondos das pedras rolando morro abaixo. Até hoje há uma enorme fenda no morro”, disse ela, se referindo às cicatrizes deixadas pela tragédia.
Caraguá nos dias de hoje: renascimento
 




“Tivemos muita sorte, mas uma família inteira que morava há cerca de 50 metros de nossa casa morreu. Eram 12 pessoas no total”, recorda-se. A dona de casa afirmou que seu marido, Belmiro Beturano de Castilho, já falecido, teria previsto a tragédia. “Ele disse para sairmos do local, pois a quantidade de chuva era tão grande que ele temia o pior. E acabou acontecendo”.
Uma parte da fazenda onde Neusa residia foi utilizada para o pouso de helicópteros, único meio de transporte para a chegada de socorro nos primeiros dias após o sinistro, já que a cidade ficou isolada. As estradas de acesso estavam tomadas por lama e árvores. Era possível caminhar sobre o telhado das residências.
“Corpos empilhados”
A serra veio abaixo após um mês de chuvas
 




“O número de mortos deve ser maior. Naquela época não havia um método de contagem da população, como o Censo. Muitas pessoas nem foram encontradas”, recorda-se o jornalista Salim Burihan, 57, à época com 13 anos.
“Vi diversos corpos empilhados na praça principal, onde funcionava a prefeitura. Com a cidade completamente destruída, decidimos buscar outro local com medo de doenças, mas a linha de ônibus estava interrompida, já que as estradas estavam bloqueadas. Seguimos a pé para Ubatuba e, de lá, para São Luiz do Paraitinga. Foram 18 horas de caminhada”, frisou.
Tragédia deixou cerca de 400 mortos
 





Ainda de acordo com Burihan, somente no dia seguinte era possível observar os estragos causados pela tragédia. “Parecia que um tsunami havia devastado a cidade, havia pontes caídas e o prédio da Santa Casa foi um dos poucos que resistiram, mesmo assim, em precárias condições. O mar desapareceu, só havia árvores boiando”. Sem estradas e sem comunicação, a ajuda chegou pelo mar, por meio de navios da Marinha do Brasil, acionados por um radioamador local. Estima-se que cerca de três mil residências foram atingidas pela avalanche.
A solidariedade e a união dos moradores fizeram com que a cidade renascesse. Atualmente Caraguatatuba está beirando os 100 mil habitantes. Tornou-se um grande centro comercial do Litoral Norte e agora se prepara para o boom econômico que deverá surgir com a implantação de uma unidade de processamento de gás oriundo do pré-sal.
“Minha mãe foi arrastada por diversos quilômetros pela lama”
Márcio mostra rio Santo Antonio, por onde sua mãe foi arrastada por diversos quilômetros até chegar na praia
 






Caraguatatuba – O professor Márcio Luiz dos Santos nem era nascido em 1967. Não chegou a conhecer alguns parentes que perderam a vida na catástrofe de 1967. Sua mãe, conhecida no bairro do Tinga como “Mariinha”, perdeu 12 pessoas de sua família na tragédia. Entre elas, quatro filhos.
As únicas informações que Santos tem sobre a catástrofe foram contadas por sua mãe, que morreu há 11 anos. “Ela foi arrastada por diversos quilômetros pela lama até chegar à praia, mas conseguiu se salvar”, disse ele. “Um tio também perdeu dois filhos. Tive uma prima que subiu em um ponto mais alto do morro, até ser resgatada somente no dia seguinte”.
O professor comentou que a ponte sobre o rio que passa ao lado da Santa Casa represou a água, complicando ainda mais a situação. “A ponte acabou rompendo com a força da lama e deu vazão à enxurrada, o que deu fim ao desespero das famílias”.

Nenhum comentário: